FDA aprova VEGF Trap-Eye da Regeneron Pharmaceuticals

08/02/2012 - 11:47


A companhia Regeneron Pharmaceuticals, Inc. parceira da Bayer HealthCare, recebeu a aprovação por parte da FDA para o VEGF Trap-Eye, para o tratamento de doentes a forma exsudativa da degenerescência macular da idade (DMI), na dose recomendada de 2 miligramas (mg) a cada quatro semanas (mensalmente) durante as primeiras 12 semanas, seguida de 2 mg a cada 8 semanas (2 meses), avança comunicado de imprensa.

 

“A aprovação do VEGF Trap-Eye é uma óptima notícia para os doentes nos EUA que sofrem de da forma exsudativa da DMI, segundo o Dr. Kemal Malik, membro do Comité Executivo da Bayer HealthCare e Chefe do Departamento Médico. “Este é um importante marco que fortalece o nosso compromisso de colocar ao dispor dos doentes com DMI exsudativa esta nova opção de tratamento, a nível global”.

 

A aprovação da FDA para o VEGF Trap-Eye baseia-se nos resultados de dois ensaios clínicos de fase III (VIEW 1 e VIEW 2) que demonstraram que doses de VEGF Trap-Eye administradas de dois em dois meses, após 3 injecções mensais iniciais, mostraram uma eficácia comparável ao Lucentis® (ranibizumab injectável) administrado mensalmente, para o objectivo primário de manutenção da acuidade visual (perda inferior a 15 letras na avaliação da acuidade visual) durante 52 semanas.

 

As reacções adversas mais frequentes (≥5%) reportadas em doentes sujeitos ao tratamento com VEGF Trap-Eye foram: hemorragia da conjuntiva, dor ocular, cataratas, descolamento do vítreo, flocos vítreos e aumento da pressão intraocular.

 

Para além da indicação para a DMI exsudativa, estão neste momento a decorrer ensaios clínicos de fase III com VEGF Trap-Eye no tratamento da Oclusão da Veia Central da Retina (OVCR), edema macular diabético (EMD) e neovascularização coroideia associada à miopia (mCNV).

 

A Bayer HealthCare e a Regeneron estão a colaborar no desenvolvimento global do VEGF Trap-Eye.

 

A Bayer HealthCare detém os direitos de exclusividade da comercialização, fora dos Estados Unidos da América (EUA), onde as companhias irão dividir, de forma igual, os lucros de quaisquer vendas futuras do VEGF Trap-Eye.

 

A Regeneron detém os direitos de exclusividade do VEGF Trap-Eye nos EUA.

 

A Bayer HealthCare submeteu, no início deste ano, pedidos de autorização de introdução no mercado para o VEGF Trap-Eye, na Europa, Japão, Austrália e noutros países, para o tratamento da forma exsudativa da DMI.

 

Sobre o VEGF Trap-Eye

 

O VEGF Trap-Eye é uma proteína de fusão recombinante, que consiste em fracções dos domínios extracelulares dos receptores 1 e 2 do VEGF humano combinadas com a fracção Fc da IgG1 humana e formulada como uma solução isosmótica para administração por via intravítrea. O VEGF Trap-Eye actua como um receptor decoy solúvel que se liga ao VEGF-A e ao factor de crescimento placentário (PIGF), inibindo a activação e a ligação destes aos receptores do VEGF.

 

O VEGF Trap-Eye é especialmente purificado e contém concentrações tampão isosmóticas, permitindo a injecção ocular.
 

Recolha de medicamentos sábado para ajudar 65 instituições

07/02/2012 - 13:49

Mais de uma centena de farmácias participam sábado na campanha de recolha de medicamentos para entregar a instituições de solidariedade social, no âmbito de um programa que já doou 20 mil medicamentos em três anos, avança a agência Lusa.

 

Entre as nove da manhã e as sete da tarde de sábado, cerca de 300 voluntários vão estar numa das 112 farmácias que aderiram ao programa do Banco Farmacêutico, destinado a recolher medicamentos não sujeitos a receita médica, produtos de saúde e higiene para Instituições Portuguesas de Solidariedade Social (IPSS).

 

Na IV Jornada de Recolha de Medicamentos, o número de instituições beneficiadas aumentam: "antes eram 60 e agora são 65 IPSS", contou à Lusa Luís Mendonça, presidente do Banco Farmacêutico.

 

“Desde as primeiras jornadas que o número de farmácias e voluntários tem vindo a crescer de forma muito significativa, o que é um sinal do espírito solidário dos portugueses, principalmente numa altura tão conturbada como a que vivemos actualmente. Nesse sentido, estamos convictos de que não vamos assistir a uma quebra nas doações. Pelo contrário, acreditamos que os portugueses vão, mais uma vez, revelar toda a generosidade que nos é característica”, explicou Luís Mendonça.

 

A campanha deste ano chega às regiões autónomas, envolvendo um total de 112 farmácias de Lisboa, Amadora, Cascais, Oeiras, Loures, Alverca, Almada, Barreiro, Palmela, Sesimbra, Setúbal, Santarém, Almeirim, Torres Novas, Torres Vedras, Leiria, Borba, Barrancos, Vidigueira, Olhão, Vila Real de Santo António e Açores.

 

No balcão de atendimento, o farmacêutico explica aos utentes quais os medicamentos mais necessários à instituição que é apoiada pela sua farmácia. Os produtos comprados serão entregues às IPSS no mesmo dia ou na semana seguinte à da jornada.

 

A organização sublinha que só aceitam medicamentos novos comprados na farmácia.

 

O Banco Farmacêutico nasceu em Milão, de uma colaboração entre a Companhia das Obras e a Associação Lombarda dos Proprietários de Farmácia. A primeira Jornada de Recolha de Medicamentos decorreu em Dezembro de 2000. Desde então, a Jornada realiza-se todos os anos, no segundo sábado do mês de Fevereiro.

 

Actualmente, abrange cerca de 3.500 farmácias e já beneficia mais de 450 mil pessoas carenciadas.

 

A iniciativa existe também em Espanha, desde 2007.
 

Cancro: novo medicamento desenvolvido em Coimbra vai ser testado em doentes em 2013

07/02/2012 - 12:20

Um novo medicamento para tratamento do cancro desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) e pela farmacêutica Bluepharma deverá ser testado em humanos no próximo ano, e em 2015 ou 2016 poderá chegar ao mercado, avança a agência Lusa.

 

Esta expectativa foi manifestada à agência Lusa por Sérgio Simões, responsável pela inovação naquela empresa farmacêutica de Coimbra, que vê no novo fármaco "vantagens competitivas muito grandes" em relação aos da "mesma família" actualmente existentes no mercado.

 

É "significativamente mais potente e significativamente mais seguro". No tratamento exige menores doses e os seus efeitos adversos são menores, explicou.

 

Além destas vantagens, acresce uma outra, que tem que ver com o facto de o doente poder ser exposto à luz do dia, o que não acontece com os fármacos de primeira e segunda geração, que tornam o doente muito sensível à luz após os tratamentos, realça Sérgio Simões.

 

O novo fármaco está a ser desenvolvido pela empresa Luzitin, Lda., criada por investigadores da UC e pela Bluepharma, e resulta de uma década de investigação no Departamento de Química daquela instituição.

 

Neste momento a empresa já se encontra a realizar estudos não clínicos, com animais, de acordo com os rigorosos protocolos (de segurança) exigidos pelas autoridades de saúde, para poder passar aos ensaios clínicos em doentes oncológicos, no início de 2013.

 

Trata-se de um fármaco que é ministrado por terapia fotodinâmica, uma técnica que permite atacar de forma mais direccionada as células cancerígenas, com a concentração do fármaco na zona afectada e posterior irradiação por luz.

 

Esta investigação, que Sérgio Simões espera se transforme no primeiro medicamento português de combate ao cancro, neste momento, apresenta-se mais indicada para o tratamento de tumores no pescoço, cabeça e os mais avançados dos pulmões.

 

No entanto, estão a ser exploradas outras aplicações terapêuticas sublinha Sérgio Simões, que é igualmente presidente da direcção da Luzitn e professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.

 

A patente desta investigação foi considerada em 2011 a melhor patente da década, em termos absolutos e na área da saúde, arrebatando um total de 40 mil euros em prémios INVENTA.

 

Este galardão é uma iniciativa do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que visa distinguir e promover as melhores invenções de origem portuguesa em áreas estratégicas para o desenvolvimento da economia e da competitividade nacional.
 

Doentes vão poder comunicar suspeitas de reacções a medicamentos ao Infarmed

06/02/2012 - 12:06

A partir de Junho, Portugal vai ter um novo sistema de farmacovigilância, cumprindo uma directiva europeia aprovada no final do ano passado, avança o Diário de Notícias.

 

O novo sistema será informatizado, haverá alargamento da definição de reacção adversa e os cidadãos poderão comunicar directamente ao Infarmed suspeitas de reacções a medicamentos.

 

“Depois de uma fase de testes com profissionais de saúde e algumas farmácias-piloto, a aplicação estará disponível no site do Infarmed. Esta é uma exigência para todos os países europeus. Este sistema vai permitir acelerar o processo de triagem, validação e atribuição de possível causalidade entre a toma do medicamento e a reacção. As notificações serão feitas directamente para o Infarmed e para a EMA”, explica ao DN Cristina Furtado, do Conselho Directivo do Infarmed.

 

Uma das novidades é a possibilidade de qualquer pessoa poder notificar suspeitas de reacções adversas. 2É um direito que o cidadão passa a ter. Vamos fazer campanhas a apelar à responsabilização. Esta é uma forma de estarmos mais perto das pessoas e de conhecer reacções que actualmente podem passar despercebidas em ambulatório”, sublinha.

 

A informação recolhida pelo novo sistema de farmacovigilância será alargada, posteriormente, a situações de sobredosagem, utilização indevida ou abusiva do medicamento e erros terapêuticos.
 

Esclerose múltipla: medicação única apenas para poupar dinheiro é "inadmissível"

06/02/2012 - 09:17

A presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), Manuela Neves, considerou na passada sexta-feira “inadmissível” que, "por razões exclusivamente economicistas", os hospitais ministrem uma medicação única aos portadores daquela doença, fazendo “tábua rasa” da sua qualidade de vida, avança a agência Lusa.


“Sabemos que estão a decorrer reuniões a nível de vários hospitais, sobretudo no Norte, onde poderá estar a ser ‘cozinhado’ um documento que aponte no sentido da medicação única, por razões exclusivamente economicistas”, denunciou, na passada sexta-feira, Manuela Neves.


Segundo a responsável, a medicação única seria “um erro crasso”, já que “cada caso é um caso”, havendo medicamentos que “são adequados para um doente e já não o são para outro”.
Para Manuela Neves, a prescrição de medicação única faria “tábua rasa” da qualidade de vida dos portadores de esclerose múltipla.


Disse ainda que “não faz qualquer sentido” que apenas uma percentagem muito restrita de doentes tenha acesso ao medicamento oral que já existe para tratar a esclerose múltipla, “quando é sabido que, além de muito eficaz, traz enormes vantagens”, por substituir a tradicional “picadela”.


“Há doentes que passam décadas e décadas a injectar-se, ficando cheios de marcas na pele”, sublinhou.


No sábado, as três principais associações nacionais de doentes da esclerose múltipla vão reunir-se em Braga, naquela que será a primeira sessão de esclarecimento concertada dirigida a doentes sobre o acesso de todos aos tratamentos aprovados e comparticipados.


Além da SPEM, estarão presentes a Esclerose Múltipla de Portugal (ANEM) e Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM).


Esta última apresentou, muito recentemente, uma queixa aos provedores de justiça nacional e europeu contra o Hospital de Braga por, alegadamente, prescrever apenas um medicamento para a esclerose múltipla, “ignorando as especificidades clínicas de cada doente”.


A TEM recorda que para o tratamento da doença “existem actualmente oito principais medicamentos imunomoduladores de primeira linha” e que até há pouco tempo os doentes "usufruíam de medicação prescrita pelo médico assistente, adequada à especificidade, estádio e evolução da doença".


Desde Agosto de 2011, o hospital "alterou a política de fornecimento de medicação", obrigando a que a prescrição médica a novos doentes incidisse "apenas e só sobre um único medicamento": o Betaferon.


"Só em casos muito especiais, devidamente justificados, o médico poderá receitar um outro medicamento (Copaxone)", o que para a associação significa "ignorar as especificidades clínicas de cada doente”.


A direcção do hospital de Braga já garantiu, à Lusa, que os doentes são tratados “com terapêuticas aprovadas pelo Infarmed, adaptadas caso a caso, nomeadamente conforme as exacerbações e remissões da doença”.


Segundo o hospital, “a terapêutica é naturalmente modificada em função da eficácia do tratamento e da tolerância do doente ao medicamento, razão pela qual existem doentes a quem são prescritos outros fármacos”.

Medicamento da Universidade Coimbra poupa a Portugal 5 milhões em importações

02/02/2012 - 11:41


A Universidade de Coimbra (UC) apresenta sexta-feira um medicamento para o diagnóstico do cancro que poderá satisfazer as necessidades do país e evitar o gasto anual de cinco milhões de euros na sua importação de Espanha, avança a agência Lusa.


O primeiro radiofármaco produzido por uma universidade portuguesa chega também ao mercado a cerca de metade do custo actual, revelou à Lusa o investigador Antero Abrunhosa, que tem estado envolvido na produção, no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS).

 

A sessão de lançamento formal no mercado realiza-se sexta-feira, na Universidade de Coimbra, com a presença dos ministros da Saúde, Paulo Macedo, e da Educação e Ciência, Nuno Crato, acompanhados pelo secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró.

 

No entanto, o denominado FDG (Fluodesoxiglucose[18f]), usada nos exames PET (Tomografia por Emissão de Positrões) para o diagnóstico de doenças oncológicas, já está a ser fornecido pelo ICNAS aos centro privados existentes em Portugal, em Lisboa e Porto, e a expectativa é que as unidades públicas o venham a comprar também, em breve, logo que cessem os contratos de importação com Espanha.

 

Além de tornar desnecessário o recurso à importação, e de fazer baixar os custos para os serviços de saúde, "há ganhos de eficiência" porque a molécula "tem uma actividade que decai a partir de duas horas após a sua produção", na sua componente radioactiva, o que pode obrigar a utilizar mais do que uma dose para conseguir o mesmo efeito, explicou Antero Abrunhosa.

 

Dadas as características do fármaco, Coimbra surge como uma localização privilegiada, a meio caminho entre Lisboa e Porto, onde se localizam os centros que a utilizam em Portugal.

 

Para fazer chegar o fármaco na plenitude da sua eficiência aos centros de diagnóstico, ao princípio da manhã, os cientistas "fazem como os padeiros". Começam a produzi-la cerca da uma hora da manhã e, cinco horas depois, está pronta a ser transportada para Lisboa e Porto, através de uma empresa especializada.

 

Esta molécula já é utilizada desde os anos 70 do século passado, mas em Coimbra só foi possível preparar um projecto para a sua produção a partir de 2009, com a aquisição de tecnologia, nomeadamente de um ciclotrão.

 

Trata-se de uma modificação da glicose marcada com o átomo de flúor 18, que permite "mapear a três dimensões o percurso dessa molécula no corpo humano". Desse modo, indica quais as células que estão a consumir mais glicose, no caso particular das cancerígenas, pelo seu metabolismo alterado, explicou Antero Abrunhosa.

 

Além do diagnóstico do cancro, uma parte desta tecnologia pode ser utilizada no desenvolvimento de novos medicamentos, para avaliar a sua eficácia e segurança, acrescentou.

 

O especialista realçou ainda que, nessa vertente, a industria farmacêutica já mostrou interesse para ajudar a desenvolver fármacos para tratamento de doenças cancerígenas.

 

"Temos aqui um excelente enquadramento para desenvolver projectos que possam ser relevantes", sustentou o investigador, admitindo que até ao final do corrente ano o ICNAS divulgue em Portugal moléculas inovadoras, nas áreas da oncologia e ciências neurológicas, que possam até ser licenciadas para a sua comercialização em Espanha.

 

As receitas da comercialização da FDG ajudarão a suportar os custos de gestão anual do ciclotrão, estimados em meio milhão de euros, e reforçar a investigação no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC, dirigido pelo cientista Miguel Castelo Branco.

México anuncia patente da primeira vacina contra a heroína

02/02/2012 - 09:24


O Governo mexicano anunciou esta quinta-feira a patente da sua primeira vacina contra a heroína que será utilizada para combater e prevenir o vício daquela droga, principalmente entre crianças e jovens, avança a agência Lusa.


“O México conseguiu patentear a primeira vacina contra o uso da heroína e estamos a trabalhar para outras drogas”, indicou o secretário mexicano da Saúde, Salomón Chertorivski, durante a apresentação da Rede de Transferência de Tecnologia para a Atenção das Dependências.


O governante acrescentou que a medida faz parte da acção governamental que prefere o tratamento a colocar na cadeia pessoas que cometeram um delito que não é grave porque estavam sob a influência de drogas.


Desde 2006 que o México tem aumentado significativamente o seu orçamento para a prevenção de dependências, triplicando o valor investido para quase 24 milhões de euros.


Por outro lado recebeu apoios de cerca de 570 milhões de euros dos Estados Unidos para o combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Infarmed reitera a eficácia terapêutica do Tafamidis em apenas 22% dos doentes

01/02/2012 - 15:58

O Infarmed reiterou esta quarta-feira que a eficácia terapêutica do Tafamidis é de 22%, argumentando que a estabilização da doença verificada nos doentes que tomaram placebo tem de ser subtraída aos resultados observados nos pacientes que tomaram o medicamento, avança a agência Lusa.


O esclarecimento da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde surge após o laboratório Pfizer ter divulgado os resultados do ensaio clínico (Fx-005), aos 18 meses, segundo os quais 60% dos doentes em tratamento com Tafamidis tiveram resposta ao medicamento, em comparação com 38% dos doentes no grupo que apenas recebeu placebo.


“Os mencionados 22% referem-se à diferença entre estes dois grupos. Considerando os resultados do ensaio clínico, o Tafamidis demonstrou eficácia em 60% e não em 22% dos doentes”, refere o laboratório, que adquiriu os direitos do medicamento.


Numa nota enviada à agência Lusa, o Infarmed afirma que “a eficácia terapêutica observada do medicamento Tafamidis foi de 22% dado que a não progressão da doença verificada nos doentes que tomaram placebo (uma substância inerte sem actividade terapêutica), a qual foi de 38%, tem de ser subtraída aos resultados observados nos doentes que tomaram o medicamento (60%)”.


Para a autoridade nacional do medicamento, a leitura cientificamente válida e correcta do estudo clínico que sustenta a aprovação do medicamento Tafamidis pela Agência Europeia do Medicamento, evidencia a sua limitada eficácia, protelando, mas não evitando, a necessidade de transplante”.


Com a designação comercial de "Vyndaqel", o medicamento já foi aprovado, em 2011, pela Agência Europeia de Medicamentos e também pela Comissão Europeia e de Portugal, aguardando apenas luz verde do Governo para que seja disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).


No passado dia 27, o Parlamento aprovou resoluções do PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS favoráveis à disponibilização no Serviço Nacional de Saúde do Tafamidis.


Aprovou também, por unanimidade, um projecto de resolução do Partido Ecologista "Os Verdes" sobre disponibilização do Tafamidis aos doentes com paramiloidose. Mais controversa foi a votação da resolução do PS, que foi chumbada com os votos do PSD, apesar da abstenção do CDS e do apoio recebido das bancadas do PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes".


A paramiloidose é uma doença neurológica, rara e sem cura, que se manifesta entre os 25 e 35 anos e é transmitida geneticamente, tendo como principais sintomas grande perda de peso, sensibilidade e estímulos.


Em Portugal existem cerca de duas mil pessoas com esta patologia, mas há mais seis mil casos assintomáticos, ou seja, têm o gene mutante, mas sem manifestações clínicas da doença.
 

Autoridades francesas já saberiam de problemas com implantes da PIP desde 1996

01/02/2012 - 15:39

As autoridades francesas já saberiam desde 1996 dos problemas dos implantes mamários defeituosos PIP, potencialmente prejudiciais por conter silicone de uso industrial, segundo revelou esta quarta-feira o jornal francês Libération, citado pela revista VEJA.

 

O Ministério da Saúde francês recebeu naquele ano alertas sobre anomalias, enviadas por e-mails anónimos, que destacavam a existência de irregularidades na empresa Poly Implant Prothèses (PIP), e que levaram o órgão a solicitar a abertura de uma investigação.

 

O jornal francês apontou que a investigação estava relacionada com "as condições de comercialização por parte da sociedade PIP de próteses mamárias internas".

 

Os e-mails anónimos destacavam uma encomenda de 12 próteses que continham um gel de silicone cujo uso estava proibido na França, salvo com permissão especial e com destino a um centro oncológico de Nice.

 

A informação da publicação detalha que esse centro de saúde tinha permissão para utilizá-las unicamente em três pacientes e não podia adquirir mais, o que levou a pasta a abrir a investigação.

 

Esta irregularidade revelada pelo Libération vem à tona enquanto o ministério (que agora tem a denominação de Trabalho e Saúde) recebe esta quarta o relatório da Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (AFSSAPS) sobre as potenciais disfunções no caso das próteses PIP.

 

Em 27 de Janeiro, o fabricante dos implantes mamários defeituosos, Jean-Claude Mas, de 72 anos, foi acusado por uma juíza de Marselha pela sua suposta responsabilidade na comercialização das próteses.

 

No entanto, após ser detido na semana passada na sua casa na localidade de Six-Fours-les-Plages, foi acusado de causar ferimentos involuntários e ficou com o estatuto de testemunha assistida (o que dá margem a uma acusação posterior) pelo crime de homicídios involuntários.

 

Esta última acusação refere-se a uma relação causa-efeito entre os implantes PIP e alguns casos de cancro, vinculação que por enquanto não foi provada.

 

Em França há 20 casos de cancro em mulheres que colocaram silicone PIP, embora não haja provas científicas de que exista uma relação.
 

Doença dos Pezinhos: Tafamidis foi testado em todo o mundo

01/02/2012 - 15:29

O presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP) defendeu esta quarta-feira que "nunca existiu qualquer dúvida em relação à eficácia do Tafamidis", realçando que o fármaco "foi testado cientificamente em hospitais de excelência de todo o mundo, avança a agência Lusa.


Carlos Figueiras reagia desta forma aos dados de um ensaio clínico relevados pelo laboratório Pfizer, que adquiriu os direitos do medicamento, segundo os quais, aos 18 meses, 60% dos doentes em tratamento com Tafamidis tiveram resposta ao medicamento, em comparação com 38% dos doentes no grupo que apenas recebeu placebo.


A divulgação destes dados pela Pfizer surgiu depois de o presidente do Infarmed ter afirmado que o Tafamidis não tinha efeito “em cerca de 80% dos doentes”, sendo que nos restantes atrasaria apenas em “18 meses” o processo para transplante hepático.


Para o presidente da APP, o esclarecimento da Pfizer vem “sustentar e comprovar o que sempre foi dito em relação ao fármaco: que é eficaz”.


Carlos Figueiras realça ainda que, nesta fase, a discussão lançada pelo presidente do Infarmed, Jorge Torgal, em torno do Tafamidis "não faz qualquer sentido".


Segundo disse, de Janeiro de 2007 a Maio de 2009 foi realizado um ensaio clínico, em cerca de 800 doentes, nos hospitais portugueses de Santo António, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa, e em outras “seis unidades de excelência a nível mundial”, da “Suécia, Alemanha, França, Espanha, Brasil e Argentina”, que confirmaram que o Tafamidis resultava no tratamento dos doentes com a também designada doença dos pezinhos.


Neste estudo, Portugal contribuiu com “128 paramiloidóticos”, sendo que em 60% dos doentes o fármaco foi 100% eficaz e nos restantes 40% atrasou a progressão da doença”, explicou ainda.


Carlos Figueiras fez questão de lembrar que o estudo sobre este medicamento começou “há 17 anos, quando o Dr. Jeffrey W. Kelly iniciou a pesquisa na molécula esta quarta-feira conhecida por Tafamidis".


E foi porque há cerca de dois anos "deixaram de existir dúvidas em relação a esta nova esperança para estes doentes que, em 2010, o ministério da Saúde Francês, ao abrigo de uma Autorização de Utilização Especial (AUE), começou a prescrever o fármaco", acrescentou.


E é também desde essa altura que em Portugal, "os doentes e a APP têm feitos contactos com o Governo para que o Tafamidis (Vyndaqel®) seja disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas, até agora, sem resultados práticos", lamentou o enfermeiro.


Neste processo, afirmou, o Ministério da Saúde “escondeu-se, numa primeira fase, atrás de uma Autorização da Agência Europeia do Medicamento (EMA) que, entretanto, foi dada em Julho de 2011”.


Depois, o argumento do Governo português incidia sobre a “ausência de aval da Comissão Europeia" que chegou em Novembro do mesmo ano, explicou.


Neste momento, e porque “não existem mais árvores nem arbustos onde o Governo português se possa esconder”, resta ao Ministério da Saúde "dar o medicamento aos nossos doentes que têm travado uma luta desigual, duríssima e psicologicamente arrasadora", concluiu Carlos Figueiras.

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