A Medinfar, que conta já com uma presença considerável em alguns países africanos, está a arrancar no Médio Oriente. A aposta da farmacêutica para contrariar o abrandamento no mercado nacional passa ainda pelo reforço da produção para terceiros na Farmalabor, refere João Lopes, director-geral, em entrevista ao jornal económico OJE.
Leia a entrevista:
Há cerca de 12 anos avançaram com a internacionalização da Medinfar, através da criação de uma filial em Marrocos. Porquê este país?
Historicamente, a Medinfar teve sempre uma actividade significativa em Marrocos. Para além da proximidade geográfica com Lisboa e de ser um bom ponto de entrada na África francófona, achámos que o nosso portefólio poderia ser expandido, decidindo-se então criar a Medinfar Maroc. Actualmente, contamos com 16 pessoas na estrutura de Marrocos.
Qual a importância desta unidade para o grupo?
Sendo um dos principais pilares estratégicos da Medinfar a internacionalização, a Medinfar Maroc é um caso de êxito, visto ter vindo a ganhar o seu lugar no mercado marroquino, conseguindo já obter alguma maturidade. Trata-se de uma unidade estável, com uma equipa local de promoção dos nossos produtos e com parcerias feitas com instituições locais ao nível do fabrico. Estamos, neste momento, a pôr à disposição da população marroquina novos medicamentos.
Estão a equacionar a entrada em novos mercados, através da abertura de outras filiais, ou vão dar prioridade à exportação dos vossos produtos?
Nesta fase, estamos, de facto, a abordar novos mercados e, neste momento, são já 28 os países onde podemos encontrar os produtos Medinfar. Actualmente, estamos em fase de registo em mais de 30 países. A estratégia passa por encontrar parceiros locais nesses novos mercados, diminuindo o nosso risco financeiro e garantindo um melhor conhecimento dos mercados e das necessidades dos doentes nesses países.
Em que áreas de negócio e países pretendem apostar para contrariar a estagnação do mercado?
Portugal e os doentes portugueses continuam a ser a grande prioridade da Medinfar. Em Portugal, a Medinfar continua a apostar fortemente na área dos medicamentos não sujeitos a receita médica (OTC), e na área da dermatologia, com vários produtos inteiramente desenvolvidos e produzidos por nós. Temos várias marcas reconhecidas pelos portugueses que, apesar de já terem algum tempo de mercado, ainda apresentam dinâmicas interessantes e nas quais depositamos bastante confiança para o futuro. A área de medicamentos de prescrição, apesar de ser a área da empresa mais afectada pela instabilidade do sector do medicamento, continua a ser igualmente um dos grandes pilares. Em Portugal, as pessoas podem encontrar produtos Medinfar para fazer frente a um grande número de problemas de saúde, sendo que, nesta fase, destacaríamos a nossa presença com produtos de ultima geração nas áreas da diabetes, cardiologia e respiratória. A internacional, como já referido anteriormente, é a área na qual depositamos maior expectativa de crescimento nos próximos anos.
O continente americano não integra o vosso portefólio. Porquê?
No sector do medicamento, as necessidades de diferentes populações e diferentes zonas geográficas têm as suas particularidades. É necessário fazer um trabalho de preparação (ao que podemos chamar fase de registo) específico a cada território. Temos já uma presença considerável em alguns países africanos e estamos a arrancar agora no Médio Oriente. A abordagem aos mercados do continente americano será um dos eixos estratégicos da área internacional para 2014, sendo que o trabalho de preparação já está a ser feito.
Qual o peso do negócio internacional no volume de negócios do grupo?
Neste momento, o negócio internacional representa praticamente cerca de 10%, mas, se tivermos em conta o crescimento actual e todo o trabalho que estamos a desenvolver nesta área, acreditamos seguramente que esse peso irá aumentar.
Como se encontra a Medinfar em termos de expansão do negócio, ou seja, quais são as vossas perspectivas de crescimento em termos de volume de negócios, dentro e fora do mercado nacional?
Hoje em dia, é difícil prever. No entanto, no mercado nacional, apesar das perspectivas de crescimento serem algo limitadas, continuaremos a apostar e a promover os nossos produtos nas diversas áreas onde actuamos (OTC, dermatologia e produtos de prescrição), sendo que áreas que até agora estavam um pouco mais à sombra de todo o grupo, como por exemplo a área da veterinária (Medinfar Sorológico) e a área da criopreservação (Cytothera), terão níveis de exigência maior. Outra perspectiva de crescimento que temos é também na área de produção farmacêutica para terceiros na unidade fabril de Condeixa – Farmalabor.
Quais são as principais dificuldades que a Medinfar encontra na actual conjuntura económica?
As principais dificuldades prendem-se sobretudo com a falta de estabilidade legislativa que se vive na área do medicamento já de há uns anos a esta parte. É muito difícil gerir e tomar decisões estratégicas quando não conseguimos prever quais vão ser as "regras do jogo" num futuro próximo. Por outro lado, toda a crise económica que se vive tem um enorme impacto na população e nos doentes, afectando de forma significativa todos os agentes económicos. E a Medinfar não é excepção... De um ponto de vista internacional, cada vez é maior a pressão sobre o factor preço, obrigando à prática de margens cada vez mais apertadas e a níveis de produtividade cada vez mais elevados.








