São Tomé e Príncipe: principal hospital do arquipélago com falta de medicamentos

02/05/2012 - 08:15


Médicos do Hospital Ayres de Menezes, na ilha de São Tomé, afirmaram esta terça-feira que esta unidade de saúde está com falta de medicamentos e de materiais sanitários, avança a agência Lusa.


Benvinda Vera Cruz, porta-voz dos médicos garantiu aos jornalistas que "o Hospital Central nunca esteve tão moribundo" e aproveitou para desmentir a notícia segundo a qual teria chegado ao país um carregamento de medicamentos.


Uma comissão dos médicos reuniu-se com a ministra da Saúde na quinta e na sexta-feira para falar da situação do hospital de referência.


Em conversa com jornalistas a porta-voz dos médicos começou por desmentir a notícia veiculada pela televisão pública na quarta-feira em que a ministra da saúde mostrava caixas de medicamentos importados, para provar que não há falta de medicamentos no sistema nacional de saúde.


"É falso, não são medicamentos, então não estaríamos aqui, sem medicamentos para atender os pacientes. Aliás na reunião de quinta-feira, a ministra reconheceu a crise", disse Benvinda Vera Cruz, médica que liderou a ultima greve dos médicos, ocorrida em Novembro do ano passado.


Os médicos dizem que a crise de medicamentos e outros consumíveis no hospital central Ayres de Menezes não tem precedentes.


"Para dizer que neste momento o hospital só tem um e único antibiótico que não funciona sozinho. Para ser eficaz tem que ser associado. Para além disso temos a falta de soros, papel para escrever não há, não há RX, não há películas, acho que se deveria fechar este hospital", explica a médica.


A classe médica considera que o hospital de referência está praticamente paralisado. No encontro de quinta-feira, solicitado pelos médicos a ministra indicou o mês de Maio como período em que a crise poderá ser aliviada.


Os médicos avisam que os próximos dias vão ser mais difíceis.


O director geral do hospital reconheceu por seu lado que "ter dificuldade é natural", mas sublinha que o hospital já viveu "períodos mais difíceis".


"Já houve altura em que a situação estava mais difícil", disse a Lusa Manuel Carneiro, lamentando que os médicos tenham vindo a praça pública "dramatizar a situação".


"É preciso ter alguma prudência quando damos informações a jornalistas", sublinhou o director geral que responsabilizou os fornecedores pelo atraso do hospital com medicamentos: "aproximamos da rotura do stock devido ao atraso no abastecimento pelo fornecedor", explica.


Na sessão parlamentar de sexta-feira, Pascoal de Apresentação um dos médicos que é deputado da bancada do principal partido da oposição, apresentou um quadro negro da situação da falta de medicamentos e de material sanitário no hospital Ayres de Menezes.


"Tudo o que nos dizem é não há isso, não há aquilo, a situação que o nosso hospital atravessa, só deus pode nos salvar", disse.
 

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