António José Seguro diz que “o sofrimento tem limites”

19/03/2012 - 09:38


O líder do Partido Socialista (PS), António José Seguro, disse sábado em Coimbra que “o sofrimento tem limites” e que “o país precisa de austeridade, mas não precisa de tanta austeridade”, avança a agência Lusa.


“Há muitos portugueses que estão a sofrer porque a dose aplicada por este governo é uma dose exagerada”, disse Seguro depois de ter encerrado, no auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra, o fórum ‘SNS com Futuro’, com que terminou a ‘Semana em Defesa da Saúde’.


Portugal “precisa de austeridade, mas não precisa de tanta austeridade e esta austeridade conduz a um aumento do desemprego e a uma quebra contínua da nossa economia”, sustentou.
António José Seguro comentava, assim, o “aviso” lançado, na sessão de abertura daquele fórum, ao início da tarde, por António Arnaut, considerando que “há limite para o sofrimento”.
O fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sustentou, na mesma altura, que, quando o limite do sofrimento “é ultrapassado, só a revolta redime a humilhação” e que “a paciência dos oprimidos está a esgotar-se”.


Se “tirarem o SNS ou o tornarem inoperante, a indignação popular poderá exprimir-se de forma inusitada para os nossos brandos costumes”, advertiu António Arnaut.


Sobre a quantidade de óbitos registados em Portugal nos últimos tempos, António José Seguro disse que o PS "está atento aos dados e ao que dizem os especialistas”, considerando que os “vírus tradicionais nesta altura do ano podem não ser a única causa que explica um número tão elevado de mortes”.


“Sou muito cuidadoso e não tenho posições definitivas em relação a esta matéria”, sublinhou o líder dos socialistas, rejeitando encarar o assunto com “alarmismo”.


Questionado pelos jornalistas sobre as declarações do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sábado, ao semanário Expresso, o secretário-geral do PS disse que ainda não tinha lido a entrevista, adiantando que “o país precisa mais de medidas em prol da economia e menos de entrevistas”.


O PS “decide o seu voto no momento adequado” e não “em função dos desejos dos outros líderes partidários”, reagiu António José Seguro, quando instado a responder ao desafio feito, ao seu partido, pelo coordenador do Bloco de Esquerda.


Francisco Louçã exortou sábado, em Viseu, o PS a dizer se votará contra ou a favor do diploma que facilitará o despedimento, constante do memorando de entendimento com a ‘troika’.


Seguro diz que “não pode faltar dinheiro para prestar cuidados” aos “portugueses mais necessitados”


O líder do PS, António José Seguro, defendeu sábado em Coimbra que “não pode faltar dinheiro para prestar cuidados de saúde aos portugueses que mais necessitam e, em particular, aqueles que têm menos rendimentos”.


Há cada vez mais pessoas com “dificuldade de acesso aos cuidados de saúde porque hoje, fruto de políticas do actual governo, há cada vez mais obstáculos” a que os portugueses com “menos rendimentos possam continuar a aceder ao Serviço Nacional de Saúde” (SNS).


“Isto é inaceitável”, sublinhou o secretário-geral do PS, que falava no auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra na sessão de encerramento do fórum SNS com Futuro, com que terminou a Semana em Defesa da Saúde.


“Pode faltar dinheiro para outras coisas, mas há uma coisa para a qual não pode faltar dinheiro: para prestar cuidados de saúde aos portugueses que mais necessitam e, em particular, aqueles que têm menos rendimentos”, sustentou Seguro.


“Insensibilidade social é o mínimo que podemos dizer deste governo”, concluiu o líder socialista.


Como “noutras áreas da governação”, há “duas perspectivas distintas entre o que pensa o governo actual e o Partido Socialista”, disse António José Seguro, considerando que o executivo de Pedro Passos Coelho “olha para a saúde como uma despesa” e o PS “olha para a saúde como um investimento humano”.


O governo, criticou, “tem uma única preocupação: reduzir a despesa, promovendo cortes cegos e atirando para fora dos cuidados de saúde pessoas que não têm dinheiro e que vivem com maiores dificuldades”.


Portugal “precisa de manter um SNS com qualidade, que seja um serviço universal, a que todos os portugueses, independentemente da sua condição económica, possam aceder”, mas “neste momento, há portugueses que estão fora desse sistema nacional de saúde, desse SNS”.


É importante, salientou António José Seguro, questionado pelos jornalistas, após aquela sessão, que “este seja o tema do debate e que o governo responda e que, de uma forma definitiva, não crie mais obstáculos para que esses portugueses fiquem fora dos cuidados de saúde”.


Líder do PCP acusa Seguro de não ter “sentido do ridículo”


O líder comunista, Jerónimo de Sousa, co-responsabilizou sábado os socialistas pela "cruzada contra a saúde", considerando que Seguro não tem "sentido do ridículo" ao afirmar defender o serviço nacional de saúde, de que o PS diz ser "pai".


"É inaceitável que gente que não tem qualquer sentido do ridículo venha hoje dizer que está com o Serviço Nacional de Saúde, indo mesmo ao ponto – como acontece com o actual secretário-geral do PS numa altura em que são mais evidentes as consequências para a vida das pessoas da política de saúde implementada na última década e do pacto de agressão, que o PS assinou – de falar nas dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, associando essas dificuldades às taxas moderadoras", acusou.


O secretário-geral do PCP falava numa reunião nacional de quadros da saúde, na Casa do Alentejo, em Lisboa, no mesmo dia em que o líder do PS, António José Seguro, terminou o seu roteiro da saúde.


"Hoje dizem ser o(s) pai(s) do serviço nacional de saúde, mas não só estiveram com a direita mais retrógrada na decisão de criar as taxas [moderadoras], que hoje são uma das principais causas do condicionamento criado a milhões de portugueses no acesso a cuidados de saúde, como nos governos de Sócrates criaram mais de duas centenas de novas taxas", argumentou Jerónimo de Sousa.


"É caso para dizer que, com um pai assim o filho não vai longe", sublinhou, recorrendo à "gíria popular" para afirmar que "bem pode o PS limpar as mãos à parede, que não consegue limpar-se".


Jerónimo de Sousa defendeu que o SNS não tem sido vítima de "actos súbitos, golpes conjunturais, incompetências gerais, mas de um processo de grande fôlego" para a sua destruição, de uma "cruzada em que assumem particulares responsabilidades políticas PS, PSD e CDS-PP".


O líder comunista regressou às "mortes antecipadas" do último mês, considerando que têm por base "decisões no plano da gestão que apenas têm o objectivo de criar dificuldades ao normal funcionamento dos serviços".


Para Jerónimo de Sousa, um exemplo destas medidas é a decisão de qualquer compra acima dos 100 mil euros ter que passar pelo ministro da Saúde.


Este tipo de medidas, apontou, "são hoje responsáveis pela desorganização que reina nos serviços, pela degradação da qualidade na prestação de cuidados que estarão na origem de mortes antecipadas cuja responsabilidade política não pode deixar de ser atribuída aos responsáveis pela política de saúde que está a ser implementada custe o que custar aos visados".


Jerónimo de Sousa disse que a morte de mais de quatro mil portugueses durante o mês de Fevereiro não coincidiu apenas com o surto de gripe e com o aumento do frio, mas com uma "menor procura diária de urgências e outros serviços, dificultada pelo aumento das taxas, a que se junta o aumento da energia, do gás".


Dirigindo-se ao primeiro-ministro e às explicações que Pedro Passos Coelho deu sobre o aumento das mortes, o líder do PCP afirmou que "é gente que fala de barriga cheia e não sabe quais são as dificuldades da vida e da doença".

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