Dívidas dos hospitais podem não começar a ser pagas este mês

16/04/2012 - 10:57

Os hospitais podem ter de esperar mais tempo para pagar parte das suas dívidas em atraso, avança o jornal Público. O Governo tem dito que os 1,5 mil milhões de euros dos fundos de pensões dos bancários iriam começar a ser usados para saldar pagamentos aos fornecedores dos hospitais EPE a partir do mês de Abril. No entanto, de acordo com fontes ligadas ao programa de ajuda, a troika está a estudar uma revisão do calendário, depois de ter sido surpreendida com uma nova acumulação de dívidas em atraso do sector público em Janeiro, revela o Público.

 

Tendo em conta que a Lei dos Compromissos ainda não está a ser implementada, a troika receia que as dívidas tenham continuado a aumentar nos últimos meses. Esta questão será examinada de perto na próxima avaliação do programa, em meados de Maio, o que poderá adiar também para essa altura o desbloqueamento dos 1,5 mil milhões de euros. O Público confrontou os ministérios das Finanças e da Saúde com esta informação, mas nem o gabinete de Vítor Gaspar nem o de Paulo Macedo quiseram prestar qualquer esclarecimento.

 

A condicionar a luz verde da troika está a acumulação de dívidas em atraso por parte do sector público. Depois de ter conseguido apresentar à Comissão Europeia e ao FMI uma redução dos pagamentos em atraso em Dezembro, o Governo voltou, no início do ano, a falhar aquela que é uma das metas essenciais do cumprimento do programa de assistência financeira.

 

Em Janeiro, os pagamentos a fornecedores em atraso há mais de 90 dias aumentaram em quase 180 milhões de euros (3,4%), atingindo os 5,44 mil milhões. Os hospitais EPE, bem como as autarquias e as regiões autónomas, são os principais responsáveis pela acumulação destas dívidas.

 

A agravar o cenário, os poucos números disponíveis para Fevereiro revelam novo aumento das dívidas. Um deslize que, a confirmar-se, irá fazer com que as verbas dos fundos de pensões cubram uma fatia cada vez menor das dívidas dos hospitais, que rondarão os três mil milhões.
 

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