BE acusa Governo de pôr em causa futuro dos transmontanos

03/01/2012 - 10:28


O Bloco de Esquerda de Bragança acusou esta segunda-feira o governo de pôr em causa o futuro dos transmontanos com medidas como os cortes na saúde que vão dificultar o acesso a cuidados básicos e de socorro, avança a agência Lusa.


Num comunicado “em defesa do interior”, a delegação de Bragança do Bloco de Esquerda (BE) sublinha que é o governo com um Primeiro-ministro natural de Trás-os-Montes que se “prepara para desferir a machadada final na região e definitivamente inocular o veneno final no moribundo”.


O BE refere que “o governo de direita do PSD/CDS-PP prepara-se para despedir mais de centena e meia de profissionais de saúde”, o que “levará a novos encerramentos de serviço e valências”.


O Bloco manifesta solidariedade a estes profissionais e “opõe-se de forma radical ao fim do funcionamento em período nocturno do helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros”, defendendo que “é nos territórios do interior que estas aeronaves têm mais eficácia porque estão longe dos hospitais de referência, ao contrário da sua permanência no litoral, pejado de meios e serviços de socorro”.


O BE manifesta ainda “a sua estupefacção e protesta pela insensibilidade, precipitação e autismo das entidades oficiais” no processo de passagem do sinal de televisão analógico para o digital.


O partido entende que não foram acauteladas “a situação económica dos idosos e a especificidade da região na deficiente difusão do sinal, obrigando as populações idosas a despesas adicionais pelo serviço de televisão, único meio de informação e quantas vezes de companhia à solidão forçada”.


A barragem de Foz Tua merece também a atenção do BE que reitera a contestação ao empreendimento, por entender que vai destruir o vale e a linha do Tua e constitui uma séria ameaça à preservação do património mundial do Alto Douro Vinhateiro.


“Com as sucessivas políticas de encerramento de serviços, de desinvestimento público, de falta de estratégias de crescimento económico, de destruição do seu património ambiental, a tendência na região de Trás-os-Montes será o decréscimo populacional e a diminuição dos índices de desenvolvimento”, refere no comunicado.


No documento lê-se ainda que a região “pode tornar-se apenas uma grande reserva de caça, uma coutada da EDP e das grandes empresas de extracção de recursos naturais e onde ocorrerão desgraçadas levas de trabalhadores sazonais, quais garimpeiros dos tempos modernos, que colectam as riquezas locais para encherem os bolsos dos grandes grupos económicos nacionais, europeus e mundiais”.


O Bloco promete para o novo ano “várias acções de protesto e apela a todos os transmontanos que se mantenham vigilantes e solidários, se mostrem indignados e exibam o seu orgulho natural para combater estas políticas que só servem para agudizar as suas condições de interioridade já precárias, comparadas com o todo nacional, e põem até em causa o seu futuro e dos seus descendentes”.

 

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