Hospitais do Norte estão sem vacina BCG desde Julho

03/10/2014 - 06:57


O abastecimento da vacina BCG (contra a tuberculose) está outra vez com problemas na Região Norte, sendo que há doentes com tratamentos suspensos desde meados de Julho devido à falta da vacina, avança o Jornal de Notícias.


Fonte da Administração Regional de Saúde do Norte disse ao JN que se trata de um problema de "ruptura" por parte do fornecedor ( o único laboratório que produz a vacina, na Dinamarca) e que os problemas de fornecimento se arrastam "desde Fevereiro", pondo em causa o abastecimento.

 

De acordo com uma informação do Ministério da Saúde, a que o JN teve acesso, na primeira semana de Agosto havia apenas três unidades da vacina no armazém da ULS de Matosinhos, sendo que o stock estava a zero nos restantes quatro armazéns que abastecem os centros de saúde e hospitais da região.

 

 

Fonte: Jornal de Notícias
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=...

Vales virurgia têm características inibidoras para escolha dos hospitais

30/09/2014 - 07:41

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) considera que o Vale Cirurgia (VC) com que os utentes podem escolher a instituição para serem operados “tem características inibidoras” para a escolha do doente pois não cobre todas as despesas de deslocação, avança a agência Lusa, citada pelo SAPO Saúde.


“O conteúdo do VC tem características inibidoras do exercício da escolha, na medida em que a opção, por parte do utente, por estabelecimentos não incluídos na selecção apresentada no vale é penalizada com a não cobertura das despesas de deslocação”, lê-se no relatório.

 

O estudo da ERS visou avaliar o acesso, a concorrência e a qualidade dos cuidados cirúrgicos no SNS, em concreto no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

 

A ERS recorda que “um aspecto fundamental para se efectivar a concorrência na parte convencionada do SIGIC é a existência de liberdade de escolha”.

 

Contudo, prossegue o documento, “a própria informação que é transmitida aos utentes juntamente com o VC emitido não apoia claramente a livre escolha, uma vez que não se faz referência à possibilidade de escolha de qualquer estabelecimento do sector convencionado ou do SNS que realize a cirurgia em causa e se encontre disponível para a realizar”.

 

Além deste aspecto, “a Entidade apurou que a Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) e a mediana dos tempos de espera dos utentes em LIC apresentaram uma tendência decrescente entre 2006 e 2012, apenas interrompida em 2011”.

 

“A média do tempo de espera dos utentes efectivamente operados apresentou tendência decrescente até 2010, aumentando em 2011 e 2012”, lê-se no documento.

 

De 2012 para 2013, “a mediana do tempo de espera da LIC e a média do tempo de espera dos utentes operados diminuíram, embora as LIC tenham aumentado”.

 

Segundo a ERS, “as percentagens de inscritos e de utentes operados prioritários que ultrapassaram o Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) exibiram igualmente tendência decrescente até 2010, aumentando em 2011, e denotando sinais de estabilização em 2012 e 2013”.

 

O estudo apurou ainda que nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) verificou-se “uma maior percentagem de episódios prioritários relativamente ao número total de episódios, em comparação com os hospitais protocolados, o que poderá evidenciar uma casuística de maior complexidade e uma maior necessidade de resposta célere, para cumprimento dos TMRG, por parte dos hospitais do SNS”.

 

Em relação à proximidade à rede de hospitais de origem e de destino, a Entidade concluiu que “toda a população do território continental se encontra a menos de 90 minutos de viagem de um ponto de oferta”.

 

“Constata-se ainda que somente 0,7% da população se localiza a mais de 60 minutos de viagem de um hospital de origem (SNS ou protocolado), percentagem que é de 0,5% quando se considera a rede de hospitais de destino (SNS e convencionados)”.

 

Outro indicador refere que “os hospitais de origem realizam a maioria da produção no âmbito do SIGIC (97%), predominando nesta primeira linha de oferta os hospitais do SNS”.

 

“A produção como hospitais de destino é residual, e realizada maioritariamente por hospitais convencionados, sendo o papel dos hospitais do SNS como hospitais de destino pouco representativo”, lê-se no documento.

 

Fonte: Lusa/SAPO Saúde
http://saude.sapo.pt/noticias/saude-medicina/vales-virurgia-tem-caracter...

Bastonário dos médicos exige ver plano de tratamento de hepatite C

29/09/2014 - 07:41


O bastonário da Ordem dos Médicos desafia o Ministério da Saúde e a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a divulgar o plano de contingência de cinco anos para o tratamento de doentes com hepatite C que quarta-feira foi noticiado. “Quero ver o plano”, reclama José Manuel Silva, que estranha o facto de a intenção de disponibilizar 20 milhões de euros por ano para combater a doença ter sido anunciada numa altura em que ainda não há um acordo com o laboratório norte-americano que comercializa a mais recente medicação inovadora para a doença, o sofobusvir, ao contrário do que sucede em Espanha, onde acabam de ficar concluídas as negociações, avança o jornal Público.


“Uma postura destas não é séria. Acho que se falou neste plano porque Espanha anunciou ter chegado a um acordo [com o laboratório na quarta-feira]. Quiseram aliviar a pressão aludindo a um plano que, pelos valores conhecidos, é absolutamente irrealista”, afirma o bastonário. Pelas suas contas, os números avançados implicariam que nova terapia ficasse por um preço da ordem dos 16 mil euros, quando a última proposta do laboratório, que começou por pedir 48 mil euros durante as negociações, ascende a 42 mil euros por 12 semanas de tratamento (sublinhe-se que esta terapia é dada em associação com outros fármacos e em casos mais graves o período de tratamento pode ser alargado até às 24 semanas).

 

José Manuel Silva nota ainda que, se fosse mesmo possível tratar 1200 doentes em cada ano com a verba anunciada, "em dez anos - e tendo em conta que há 13 mil doentes diagnosticados nos hospitais – seria possível acabar com o problema, bastando para isso cerca de 200 milhões de euros”. O objectivo da tutela é tratar entre 1000 a 1200 doentes por ano mas estes números são meramente indicativos, estando o plano ainda a ser ultimado, segundo uma fonte da tutela, que explica que nem todos os pacientes terão acesso ao novo fármaco, podendo alguns ser tratados com as terapias mais clássicas.

 

Os valores avançados, insiste por outro lado o bastonário, fazem cair por terra os argumentos dos que afirmaram que o tratamento dos doentes com hepatite C poderia custar aos cofres do Estado mais de mil milhões de euros. “Andaram a mentir para justificar o não tratamento dos doentes”, critica. José Manuel Silva faz outras contas para concluir que, “ mesmo que se tratassem actualmente todos os doentes identificados em Portugal seguidos em consultas do SNS, com hepatite (…) o custo máximo da utilização do novo medicamento seria “apenas” de 600 milhões de euros” e, destes, “cerca de 30-40% são prioritários para tratar”.

 

O laboratório norte-americano Gilead Sciences que tem a patente do fármaco sofobusvir adiantou entretanto ao i que também desconhece o plano de cinco anos e não se mostrou disponível para alterar a última proposta apresentada ao ministério. Em Espanha, segundo o El País, terá ficado acordado um preço de 25 mil euros por doente tratado, mas também se definiu um limite de pacientes a tratar por ano.

 

Num editorial a publicar na próxima edição da revista da OM, José Manuel Silva vai ainda aconselhar os clínicos que seguem os doentes com hepatite C a cumprirem as orientações da Associação Europeia para o Estudo do Fígado (EASL) e a pedirem autorizações de utilização excepcional sempre que tal cientificamente se justifique. Estes pedidos de autorização são a única forma possível de disponibilizar aos doentes qualquer substância nova que, apesar de estar aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, ainda aguarda definição do preço e comparticipação em Portugal.

 

Lembrando que as condições de aprovação dos pedidos de autorização excepcional já estão definidas pelo Infarmed para os casos da hepatite C, ainda que em condições “extraordinariamente restringentes que limitam o tratamento a doentes quase terminais”, o bastonário explica que os clínicos as devem pedir também para outros casos, à cautela. Como o Infarmed afirma que aceita apreciar outros pedidos de acordo com as guidelines da EASL, “os clínicos devem solicitar autorizações para todos os doentes em que cientificamente se justifique de acordo com as indicações” desta associação europeia, recomenda. Caso não o façam, se surgir algum problema com algum doente que tenha indicação terapêutica pela EASL, “o Ministério da Saúde pode ´lavar as mãos´ da situação alegando que foi o médico que não pediu a AE”, alerta.

 

Segundo a informação avançada ao i pelo Infarmed foram emitidas 29 autorizações de utilização excepcional do sofobusvir, mas o laboratório refere que apenas 11 doentes tiveram acesso à terapia em Portugal, sendo que quatro a pagaram do seu bolso.

 

Infarmed oficializa plano a cinco anos com verba de 20 milhões

 

O Infarmed confirmou na passada sexta-feira, em nota de imprensa, que o Ministério da Saúde vai lançar um programa a cinco anos de combate à hepatite C, para o qual disponibilizará já no próximo ano uma verba de 20 milhões de euros.

 

"Numa primeira fase, além das medidas em curso ao nível da prevenção primária, serão elegíveis para tratamento com diferentes combinações de fármacos, consoante o genótipo do vírus da hepatite C, pessoas que reúnam critérios para tratamento em função da gravidade da doença", explica a Autoridade Nacional do Medicamento que não faz qualquer referência ao número de doentes que este plano poderá envolver. Actualmente, o Estado gasta cerca de 5 milhões de euros por ano com a hepatite C, passa agora a 20 milhões por ano. Com o VIH/Sida, por exemplo, são gastos mais de 200 milhões.

 

Com este plano de combate á hepatite C, os doentes prioritários são aqueles cuja infecção se encontra em fase mais avançadas, sendo o tratamento progressivamente alargado àqueles que se encontram em fases mais precoces da doença. As regras de tratamento são definidas por um conjunto de especialistas, exclusivamente de acordo com critérios clínicos que incluem a gravidade da doença. Os ganhos em saúde obtidos em cada tratamento serão acompanhados e registados, o que implica obrigatoriamente o reporte, por parte dos hospitais, dos resultados dos tratamentos.

 

O acesso aos novos medicamentos tem sido assegurado a doentes prioritários, estimados em 150 até ao final do ano, através de autorizações excepcionais, concedidas pelo Infarmed de acordo com critérios clínicos pré-definidos e internacionalmente estabelecidos. O Infarmed anunciou ainda que foi autorizado em Portugal um ensaio clínico que permitirá o tratamento a pelo menos 130 infectados, com um esquema terapêutico dos mais inovadores e desenhado para doentes com patologia em fase avançada de evolução.

 

A autoridade do medicamento sublinha que Portugal está "fortemente empenhado" nas várias iniciativas que decorrem na Europa para redução de preços. "Brevemente ficarão disponíveis medicamentos igualmente, ou ainda mais, eficazes para controlo da doença que promoverão custos de tratamento mais comportáveis para todos os Portugueses", acrescenta.

 

 

Fonte: Público
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/bastonario-dos-medicos-exige-ver...

Rui Ivo é o novo presidente da Administração Central do Sistema da Saúde

26/09/2014 - 07:58


Rui Ivo, que ocupava as funções de vice–presidente da Administração Central do Sistema da Saúde (ACSS), é o novo presidente deste organismo, que gere os recursos financeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS), avança a agência Lusa, citada pelo jornal i.


As novas funções de Rui Ivo foram iniciadas no passado dia 11 de Setembro, tendo substituído no cargo João Carvalho das Neves, cujo mandato tinha terminado a 31 de Julho.

 

O conselho directivo da ACSS é agora composto por Rui dos Santos Ivo (presidente), Carla Gonçalo (vice-presidente) e os vogais Pedro Alexandre e Luís Matos.

 

Entre os vários cargos que desempenhou, Rui dos Santos Ivo foi presidente da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) e director executivo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma).

 

 

Fonte: Lusa/i
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/rui-ivo-novo-presidente-da-admini...

Bastonário garante médico de família para todos os portugueses dentro de três anos

25/09/2014 - 06:11


O Bastonário da Ordem dos Médicos avançou esta terça-feira que dentro de três anos, no máximo, todos os portugueses vão ter médico de família, sublinhando a necessidade de implementação de medidas temporárias para resolver o problema no imediato, avança a agência Lusa, citada pelo SAPO Saúde.


Em declarações à Lusa, José Manuel Silva, avançou que estão a entrar “mais de 400 jovens por ano na especialidade de medicina geral e familiar”, o que fará com que “dentro de três anos, provavelmente, no máximo, todos os cidadãos portugueses terão médicos de família”.

 

Uma comissão de peritos em saúde concluiu que Portugal tem cuidados primários pouco desenvolvidos, uma utilização exagerada dos serviços hospitalares de emergência e trauma e menor capacidade em cuidados de longa duração.

 

Segundo o relatório “Um Futuro para a Saúde – todos temos um papel a desempenhar”, elaborado por peritos nacionais e internacionais, em resposta ao convite da Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável para construir uma nova visão do Sistema Nacional de Saúde (SNS), “o envelhecimento da população e o aumento das patologias crónicas de longa duração exigem que novos serviços sejam criados”.

 

Maior afluência às urgências por falta de médicos de família

 

No entanto, o bastonário disse à Lusa que esta análise não está correcta, considerando que os cuidados de saúde primários no país “estão desenvolvidos”, sublinhando que, neste momento, “não existem médicos de família para todos os cidadãos portugueses e isso tem consequências no número de adultos que ocorre às urgências hospitalares”.

 

José Manuel Silva adiantou que a Ordem dos Médicos tem vindo a alertar os responsáveis para a resolução do problema da falta dos médicos de família, insistindo em que sejam contratados as “centenas de médicos de família que se reformaram antecipadamente nos últimos anos por força da crise económica do país”.

 

“Esses médicos podem ser recuperados para o sistema, porque neste momento temos médicos de família suficientes para dar um a todos os cidadãos portugueses. Das zonas mais carenciadas, nem sequer são as zonas mais desfavorecidas do país, como é a região da grande Lisboa, é uma questão do Ministério da Saúde querer contratar esses médicos, e o problema é que não quer”, sublinhou.

 

O bastonário sublinhou que há soluções que podiam ser tomadas e não o são, referindo que “há uma diferença entre o discurso político e a prática, que tem consequências dramáticas para a população e para o país”.

 

 

Fonte: Lusa/SAPO Saúde
http://saude.sapo.pt/noticias/saude-em-familia/bastonario-garante-medico...

Enfermeiros voltam à greve

24/09/2014 - 06:37


Os enfermeiros portugueses cumprem esta quarta-feira o primeiro de dois dias de greve nacional contra a "grave carência" de profissionais nas unidades públicas de saúde e pela dignificação da profissão e da carreira de enfermagem, avança a rádio Renascença.


"A quase totalidade dos enfermeiros faz entre 48 a 56 horas por semana, está impedida de gozar as folgas que a lei impõe e não se perspectiva quando poderão gozar os milhares de dias em dívida", sublinha o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses em comunicado, citado pela agência Lusa.

 

Para o sindicato, "a grave carência de enfermeiros em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde não se minimiza com a contratação de apenas mais 700 enfermeiros, em 2015, além dos mil já anunciados a 18 de Setembro".

 

Numa reacção a estas declarações, o ministro da Saúde veio lamentar o que considera ser a "banalização da greve", afirmando que só o serviço público é visado pelos sindicatos.

 

Paulo Macedo sublinhou ainda ter-se comprometido com a "autorização de contratação de mais de 1700 enfermeiros no período de Outubro de 2014 a Outubro de 2015".

 

Quanto às reivindicações dos enfermeiros, o ministro da Saúde diz que são questões a que não pode responder por serem assuntos alvo de proposta legislativa, no Parlamento.

 

Nas contas dos sindicalistas, seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, a juntar aos cerca de 39 mil existentes nos serviços públicos.

 

 

Fonte: Renascença
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=163038 

Dois terços dos doentes não deviam estar no hospital

24/09/2014 - 06:17

A comissão da Fundação Calouste Gulbenkian que no último ano e meio se dedicou a estudar o quebra-cabeças da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde concluiu que dois terços dos doentes atendidos nos hospitais devia antes ter acesso a mais cuidados de proximidade, como apoios no domicílio. A comissão vai agora lançar três projectos para mostrar que é possível uma mudança de paradigma, estimando poupanças para o Estado superiores a 200 milhões de euros por ano. Os peritos defendem que esta mudança é mais vital para a sustentabilidade financeira do SNS do que haver mais dinheiro, avança o jornal i.


O trabalho da Gulbenkian, esta semana apresentado a Cavaco Silva, ao governo e aos deputados, faz recomendações em sete áreas. Se os autores admitem que muitas conclusões não são novidade, destacam um "défice de implementação" de medidas que tem mantido inalteradas incoerências no sistema, como os hospitais ficarem com mais de metade das verbas para a saúde enquanto as doenças crónicas somam 70% dos encargos.

 

Os três projectos, destinados a reduzir as infecções contraídas nos hospitais, a diabetes e a promover melhorias na saúde e bem-estar das crianças, acabam por reflectir as ideias chave defendidas pelos peritos. "Queremos provar que é possível mudar", resumiu ao i Nigel Crisp, mentor de reformas de saúde no Reino Unido e coordenador dos trabalhos.

 

Um dos projectos, que a fundação tenciona implementar em dez hospitais já em 2015, visa a redução das infecções contraídas nos hospitais a metade em três anos. Os peritos defendem que todos os hospitais devem começar a divulgar mensalmente a percentagem de doentes que acaba por apanhar uma infecção durante o internamento, complicando o prognóstico. Com base nessa informação, as unidades com melhor desempenho poderão "apadrinhar" os piores e debater boas práticas. Nigel Crisp adianta que, em Inglaterra, as taxas de infecção chegam a ser afixadas à porta das instituições, para serem do conhecimento de profissionais e utentes. O mesmo já é feito com taxas de mortalidade em tratamentos, o que defende que seria vantajoso em Portugal.

 

Um segundo projecto visa prevenir 50 mil novos casos de diabetes até 2020 e assenta em sinergias entre associações doentes e autarquias, outro princípio defendido pela comissão. Nesta área, a intenção da Gulbenkian é apoiar iniciativas a nível local que incentivem a alimentação saudável e o exercício. Já o terceiro projecto, de longo prazo, corporiza a ideia de que a saúde não depende apenas do SNS. O objectivo da comissão é juntar académicos, profissionais de saúde, escolas e pais na definição de um programa de desenvolvimento infantil que permita avaliar o bem-estar nas crianças e ajude a prevenir problemas como obesidade.

 

Se a obesidade e pobreza infantil mereceram uma chamada de atenção dos peritos, há uma área em que consideram que o país enfrenta um desafio tão grande como foi o da redução da mortalidade infantil nos últimos 40 anos: aos 65 anos, um português pode esperar viver apenas mais seis anos saudável enquanto na Noruega a expectativa são mais 15.

 

Fundo de transição

 

Mais do que soluções fechadas, a comissão apresenta projectos internacionais e nacionais que ajudaram a resolver lacunas agora identificadas em Portugal, por exemplo "um manual do doente", que na Noruega melhorou a interacção dando pistas de perguntas a fazer numa ida ao médico. Portugal é dos países com uma nível de literacia em saúde mais problemático, sobre o qual a comissão defende que importa intervir. Os peritos sublinham que o aumento da informação sobre saúde deve ser promovida porque, tal como a qualidade, reduz custos. Estimam que um doente que se envolve nos cuidados custe menos 20%.

 

A Gulbenkian defende que a mudança no sistema para uma organização mais centrada nas pessoas não pode esperar. Embora garantam que, a longo prazo, pagar-se-á a si própria, admitem que para já é preciso investimento. Propõem por isso a criação de um fundo de transição, verbas extra enquanto não se percebe que vagas são abertas nos hospitais por mais cuidados de proximidade.

 

A criação de um organismo independente para supervisionar a qualidade dos cuidados, maior acesso dos utentes à sua informação clínica e maior envolvimento das autarquias na oferta de cuidados são outras propostas da comissão. Como é que os municípios aumentarão o investimento na actual conjuntura é pergunta que fica sem resposta, ou com a resposta compatível com o estudo. Para a Gulbenkian, trata-se de um plano de reforma do sistema a 25 anos. Nesse sentido pedem mesmo um novo pacto nacional nesta área, em linha com apelos recentes de Marcelo Rebelo de Sousa ou António Arnaut. A ideia é que o planeamento da saúde e uma visão consensual para o futuro seja imune aos ciclos políticos.

 

Três projectos da Gulbenkian para a saúde sustentável

 

Reduzir infecções hospitalares para metade

 

A Fundação pretende apoiar dez hospitais na redução das taxas de infecção hospitalar para metade num prazo de três anos. O projecto passaria por uma maior monitorização e por um sistema de tutoria: os hospitais com melhor desempenho apadrinhariam as unidades com mais dificuldades na redução dos casos de infecção contraídos no hospital. A Gulbenkian estima que um programa desta natureza poderia representar anualmente uma poupança de 140 milhões de euros, dado que a demora nas altas por causa de complicações que resultam de infecções evitáveis custa ao SNS 280 milhões por ano.

 

Menos 50 mil casos de diabetes

 

Portugal tem a taxa de diabetes do tipo 2 mais elevada da Europa (afecta 14% da população) e todos os anos surgem 60 mil novos casos. Um dos programas que a Gulbenkian pretende lançar em 2015 visa evitar que 50 mil pessoas em risco desenvolvam a doença nos próximos anos, o que levaria a uma poupança anual de 45 milhões de euros. O objectivo é apoiar a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal na criação de coligações da diabetes, iniciativas a nível local de sensibilização e alteração de factores de risco, como má alimentação ou sedentarismo, que juntem serviços de saúde, autarquias e empresas. 

 

Saúde e bem-estar das crianças 

 

Depois da redução da mortalidade infantil nas últimas décadas, a Gulbenkian defende ser necessário melhorar outros indicadores, como a elevada taxa de pobreza infantil – associada a piores indicadores de saúde ao longo da vida – mas também obesidade. Uma das inspirações para o projecto que pretendem lançar é a iniciativa escocesa Early Years Collaborative: definiu objectivos de desenvolvimento e todas as crianças são avaliadas a cada 17/30 meses em áreas como nutrição mas também desempenho escolar, de forma a promover iniciativas direccionadas às principais lacunas. A iniciativa envolve serviços de saúde, escolas mas também associações de pais. A Gulbenkian estima que um programa deste género em Portugal poderia poupar 80 milhões de euros por ano ao longo da vida da geração de crianças que hoje têm até 5 anos.

 

 

Fonte: i
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/estudo-da-gulbenkian-dois-tercos-...
 

Peritos defendem novo pacto para a saúde com mais poder para os cidadãos

23/09/2014 - 07:42


Uma comissão de peritos propõe um novo pacto que redireccione o sistema de saúde para a pessoa e não apenas o doente, tutelado por um organismo em que os cidadãos participem e com um "fundo" que financie a mudança, avança a agência Lusa, citada pelo Diário Digital.


As personalidades que compõem esta comissão, presidida por Nigel Crisp, que liderou o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), responderam com esta proposta ao desafio da Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável de "construir uma nova visão do Sistema Nacional de Saúde (SNS)".

 

A comissão contou com o contributo de 35 especialistas portugueses de diferentes áreas até chegar ao relatório final, que será apresentado em Lisboa, esta terça-feira.

 

Comissão propõe Fundo de Estabilização do SNS para avaliar custo-benefício

 

Um relatório elaborado por peritos a convite da Fundação Calouste Gulbenkian defende a criação de um Fundo de Estabilização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para funcionar cinco anos na avaliação da relação benefício-custo de serviços.

 

Segundo o relatório "Um Futuro para a Saúde - todos temos um papel a desempenhar", elaborado por peritos nacionais e internacionais, em resposta ao convite da Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável para "construir uma nova visão do Sistema Nacional de Saúde (SNS)", esse fundo deverá responder perante o Parlamento e o Conselho Nacional de Saúde, este último por criar.

 

Os peritos consideram que a estratégia de sustentabilidade do SNS deve passar por "melhorar a qualidade e reduzir os custos".

 

 

 

Fonte: Lusa/Diário Digital
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=731649
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=731651

Aumentam urgências hospitalares por falta de resposta dos centros de saúde

22/09/2014 - 07:18


Cerca de metade das pessoas que recorrem às urgências hospitalares fazem-no por não conseguir atendimento no centro de saúde ou porque o episódio de doença ocorre fora do horário dos cuidados primários, segundo um inquérito da associação de defesa dos consumidores, DECO, avança a agência Lusa, citada pelo Diário Digital.


Com base em 3.556 respostas a inquéritos lançados em Outubro de 2013, a associação de defesa do consumidor conclui que aumentou o número de doentes que vai ao hospital por não conseguir ser atendido nos centros de saúde.

 

Do total de inquiridos, há ainda 12% que alega não ter recorrido aos serviços de urgência por falta de dinheiro para pagar a taxa moderadora.

 

Fonte: Lusa/Diário Digital
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=731391

Vírus da Hepatite C atinge mais de 35 mil portugueses

19/09/2014 - 07:17


Em Portugal, estima-se que o vírus da Hepatite C atinja 38.620 indivíduos, sendo que destes, 30.896 deverão apresentar infecção activa, potencialmente com necessidade de tratamento. Estes são os resultados preliminares dos estudos E-Cor Fígado e do Estudo Epidemiológico das Hepatites Víricas (EEPV), conduzidos sob orientação da Associação Portuguesa de Estudo do Fígado (APEF), avança o SAPO Saúde.


Avaliando o conjunto de dados, numa amostra com 2.336 indivíduos, com 10 indivíduos com anticorpos VHC (Ac VHC) positivo, oito (80%) do sexo masculino, resulta numa prevalência da Hepatite C na população geral de 0,42%. Um terceiro estudo foi recentemente realizado na população prisional portuguesa, tendo-se verificado uma prevalência de 18,8% de Ac VHC positivo, numa amostra de 784 indivíduos.

 

“A APEF tem procurado avaliar a real dimensão da Hepatite B e C em Portugal. A hepatite crónica B e C são, actualmente, um problema de saúde pública, pelo risco que têm de progressão para cirrose e cancro do fígado, e também pelos sintomas e complicações que frequentemente lhe estão associadas”, refere Helena Cortez Pinto, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado.

 

O estudo E-Cor, da responsabilidade do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), debruçou-se sobre as regiões de Lisboa, Coimbra, Porto e Alentejo. Neste estudo foram, até à data, estudados os marcadores do vírus C em 1.296 indivíduos adultos, identificando-se seis indivíduos com anticorpos VHC positivo, o que resulta numa prevalência de 0,46%. No entanto, apenas dois indivíduos (33%) apresentavam carga viral positiva. A idade média da população estudada foi de 50,1 anos, sendo 51% do sexo masculino. Os indivíduos Ac VHC positivo tinham idade média de 41,3 anos.

 

O estudo epidemiológico das Hepatites Víricas (EEHV) avaliou indivíduos das zonas Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, com idade média de 52 anos, sendo 35% do sexo masculino. Até ao momento, foram estudados 1.040 adultos, identificando-se quatro com anticorpos VHC positivo, correspondendo a uma prevalência de 0,38%.

 

No que respeita à Hepatite B, no estudo E-Cor, os dados preliminares revelaram uma prevalência de Antigénio de Superfície (AgHBs) de 18/1291 (1,4%). A prevalência de AcHBs foi de 394/1301 (30%) e a prevalência de AcHBc foi de 126/1290 (9,7%). O Antigénio de Superfície é o 1º marcador a surgir, entre os sete e os 20 dias antes da sintomatologia e a sua presença traduz sempre a presença de infecção.

 

No caso de persistir positivo por um período superior a seis meses, define uma infecção crónica.

 

No grupo de indivíduos com menos de 30 anos, a frequência de AcHbs isolado é de 131/226 (58%), e no grupo com menos de 25 anos é de 73/116 (62%). “Esta população corresponde à população vacinada e os resultados demonstram a eficácia do programa de vacinação da hepatite B, implementado nos últimos anos em Portugal”, sublinha Helena Cortez Pinto.

 

 

Fonte: SAPO Saúde
http://saude.sapo.pt/noticias/saude-medicina/virus-da-hepatite-c-atinge-...

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