Laboratório militar fabrica fármacos com redução substancial de preço

20/06/2013 - 08:13


O recurso ao laboratório militar para produzir medicamentos em falta no mercado permite poupanças ao Estado que, nalguns casos, chegam aos 80%, sublinhou esta quarta-feira o ministro da Saúde numa visita às instalações daquela instituição, avança a agência Lusa.


O laboratório militar está já a fabricar pelo menos sete remédios para uso pediátrico em meio hospitalar, uma vez que a indústria não tem interesse comercial em produzi-los, tendo a Autoridade do Medicamento pedido para serem produzidos outros cinco fármacos.


Estes pedidos de produção têm um carácter excepcional e ocorreram porque alguns medicamentos não estavam a chegar aos hospitais uma vez que as quantidades solicitadas eram insuficientes para haver interesse da indústria ou então porque o preço era demasiado baixo para ser compensador.


“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) também beneficia em termos de preço cada vez que se recorre a este tipo de alternativa. Uma das soluções orais que há cerca de um ano era fornecida [aos hospitais] a 20 euros por embalagem, o laboratório militar fornece agora por três euros, menos 80% do preço”, exemplificou o ministro da Saúde.


Paulo Macedo falava aos jornalistas no final de uma visita às instalações do laboratório, em Lisboa, depois de ter estado em Mortágua num laboratório português privado que, em conjunto com mais três empresas nacionais, também se ofereceu para produzir algumas substâncias que falhem no mercado.


Além disso, também o Hospital de São João, no Porto, se prepara para produzir algumas substâncias que os laboratórios farmacêuticos parecem não ter interesse em fabricar.


O ministro da Saúde vincou que estes pedidos de fabrico “têm sempre um carácter de excepção”, até porque “o laboratório militar não tem vocação para concorrer com a indústria”.


Apesar da baixa de preço conseguida com esta alternativa, Paulo Macedo frisou que este não é o intuito destes pedidos de fabrico, mas antes o fornecimento dos hospitais com medicamentos em falta no mercado.

 

“Pretendemos que o laboratório militar sirva em casos pontuais, não é suposto estar a concorrer com a indústria. Mas quando há falhas de mercado temos vários canais, um deles o laboratório militar”, acrescentou.

 

Questionado sobre críticas feitas esta quarta-feira pela Ordem dos Médicos em relação à dispensa de medicamentos nas farmácias, o ministro lembrou que sempre que há irregularidades elas são detectadas pelo centro de conferência de facturas (que cruza a informação das receitas prescritas e aviadas) e, posteriormente, a Autoridade do Medicamento (Infarmed) actua sobre elas.

 

“Os medicamentos mais baratos têm de estar disponíveis para as pessoas. Cabe ao Infarmed actuar para que os medicamentos mais baratos continuem a ser disponibilizados e as pessoas têm de facto beneficiado desses medicamentos mais baratos”, declarou Paulo Macedo.

 

O bastonário da Ordem dos Médicos acusou esta quarta-feira as farmácias de alegar a falta de alguns medicamentos para venderem os mais caros e disse que este sistema “que interessa à ANF” tem “o silêncio complacente” do Ministério da Saúde.

 

Numa conferência em que denunciou “a grande desonestidade” da prescrição por Denominação Comum Internacional (DCI), José Manuel Silva revelou que têm chegado à Ordem relatos de casos em que são vendidos aos doentes os medicamentos mais caros, pois “as farmácias deixaram de ter os medicamentos mais baratos”.

 

“Não porque [os medicamentos] estejam esgotados, como muitas [farmácias] afirmam à laia de desculpa, mas porque não os querem ter disponíveis para os doentes por serem baratos”, adiantou.

 

“Não ter os medicamentos mais baratos é a desculpa mais simples”, disse o bastonário da Ordem dos Médicos, para quem este é “um sistema montado” que “interessa à Associação Nacional das Farmácias (ANF)”.

Instituto Gulbenkian Ciência e Merck parceiros no desenvolvimento de medicamentos

19/06/2013 - 08:20


O Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) e a multinacional farmacêutica Merck assinam esta quarta-feira, em Lisboa, um acordo de cooperação que permitirá o desenvolvimento de medicamentos nas áreas da oncologia e da imunologia, avança a agência Lusa.


O acordo, que entra esta quarta-feira em vigor por um período renovável de três anos, propõe, na prática, "o licenciamento e o desenvolvimento de produtos farmacêuticos que possam resultar da investigação feita no instituto", assinalou à agência Lusa o ex-director do IGC António Coutinho, actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.


António Coutinho, que esteve na génese do acordo quando desempenhava as funções de director do IGC, apontou a imunologia, a bacteriologia, a oncologia ou a biologia evolutiva como áreas de interesse.


"No fundo, é aproveitar as competências do instituto, na investigação que faz, e as competências da Merck, como grande empresa mundial, na valorização da propriedade intelectual e no desenvolvimento de produtos", enfatizou.


O IGC é um instituto de investigação biomédica integrado na Fundação Calouste Gulbenkian.

Menos de 2% dos novos medicamentos são inovadores

18/06/2013 - 08:58


Portugal arrisca tornar-se num dos países com menor acesso a medicamentos e tratamentos inovadores. Nos últimos dois anos, apenas 1,6% dos novos medicamentos comparticipados pelo Estado referem-se a novas substâncias activas, o que "evidencia a quase total ausência de entrada de medicamentos inovadores no mercado ambulatório [venda nas farmácias]", avança o Diário Económico.


A análise é do Observatório Português do Sistema de Saúde (OPSS) que conclui que "o congelamento da introdução de novas tecnologias de saúde, nomeadamente medicamentos inovadores, não obstante a apresentação de avaliações técnico-científicas favoráveis emitidas pelas entidades competentes para o efeito, irá arrastar Portugal para a cauda da Europa no que se refere ao acesso a inovação".

Sanofi doa 1,7 mil milhões de vacinas para erradicar pólio

17/06/2013 - 08:41


A Sanofi Pasteur, empresa produtora de vacinas do Grupo Sanofi, vai doar 1,7 mil milhões de doses de vacina oral para a erradicação da pólio, anunciou na passada sexta-feira a Rotary Internacional, avança a agência Lusa.


O objectivo da iniciativa é erradicar mundialmente a doença que, apesar de ausente da Europa, ainda ameaça crianças na Nigéria, Afeganistão e Paquistão.


A convenção do Rotary Internacional realiza-se este ano em Lisboa, de 22 a 26 de Junho, para apresentação de desenvolvimentos da campanha de erradicação da poliomielite e discussão de ideias, no contexto do serviço de voluntariado.


A poliomiolite é uma doença infecciosa, responsável por paralisia e deformações no corpo. Apesar de não existir cura, existem vacinas para a sua prevenção.

CEO da Sanofi considerado o melhor presidente executivo europeu

14/06/2013 - 09:24


Chris Viehbacher, da Sanofi, foi reconhecido como o melhor presidente executivo europeu nas relações com os investidores pelo Thomson Reuters Extel Survey, avança o Jornal de Negócios.


O Thomson Reuters Extel Survey elege, anualmente, os melhores nas relações com os investidores. A lista dos 25 melhores CEO conta ainda com mais três responsáveis de companhias farmacêuticas: Marijn Dekkers, da Bayer, ocupa a 15ª posição, Severin Scwhan, da Roche, a 23ª, e Joseph Jimenez, da Novartis, a 25ª.


O inquérito foi conduzido entre 26 de Março e 3 de Maio, e contou com a contribuição de mais de 2.200 gestores de activos, 2,500 analistas de 250 bancos de investimento.
Veja a lista completa dos 25 melhores CEO eleitos:

Bluepharma participa em missão empresarial ao Brasil

12/06/2013 - 08:19

A Bluepharma, farmacêutica portuguesa, integra a missão empresarial ao Brasil que decorre entre 10 a 14 de Junho. Promovida pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), esta iniciativa tem como objectivo de identificar oportunidades de investimento e cooperação empresarial naquele país, avança a companhia, em comunicado de imprensa.

 

A missão inclui deslocações ao Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas onde as empresas portuguesas terão oportunidade de contactar com empresários locais interessados no estabelecimento de parcerias estratégicas e participar em encontros com as autoridades brasileiras, que permitirão obter um enquadramento preciso e actual do ambiente regulatório do investimento estrangeiro neste país.

 

Paulo Barradas, CEO da Bluepharma, sublinha a importância destas iniciativas “que permitem a projecção internacional das empresas portuguesas, numa fase particularmente difícil para o tecido económico nacional. Além de se encontrar num momento de forte expansão, o mercado brasileiro é, por proximidade histórica, um mercado relevante para as empresas portuguesas e, concretamente, para a Bluepharma”.

 

Esta será a primeira vez que a Bluepharma participa numa missão empresarial ao Brasil, embora as exportações representem já mais de 80 por cento do volume de negócios da empresa. Com mais de 60 medicamentos no mercado e exportando actualmente para mais de 30 territórios, a Bluepharma tem apostado forte nos mercados de língua portuguesa e centra-se também agora no Brasil, onde procurará reunir com potenciais parceiros com o intuito de potenciar a entrada neste mercado.

AstraZeneca compra farmacêutica Pearl por até 1,15 mil milhões de dólares

11/06/2013 - 09:09

A AstraZeneca anunciou esta segunda-feira que vai comprar a companhia norte-americana especializada em medicamentos respiratórios Pearl Therapeutics por até 1,15 mil milhões de dólares, avança a agência Reuters.

 

A aquisição da companhia privada garante à AstraZeneca uma posição no mercado emergente para uma nova classe de tratamentos pulmonares conhecidos como medicamentos LABA/LAMA, que prometem melhorar a adesão do paciente e controlo de doença, sem esteróides.

 

A compra da Pearl, com sede na Califórnia, preencherá uma lacuna no portefólio respiratório da AstraZeneca, embora esta ainda esteja atrás de rivais que incluem a GlaxoSmithKline e Novartis, na corrida para desenvolver o novo tipo de fármaco inalado.

 

A AstraZeneca pagará inicialmente 560 milhões de dólares, e mais até 450 milhões de dólares, se alguns marcos de desenvolvimento forem atingidos, bem como pagamentos relacionados com vendas de até mais de 140 milhões de dólares

 

A transacção é uma importante aposta do novo CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, que assumiu em Outubro passado, para a área de produtos respiratórios, identificada como uma área de terapia essencial para a empresa.

 

O acordo é a segunda aquisição de Soriot em duas semanas, após a compra da Omthera Pharmaceuticals por 443 milhões de dólares para fortalecer a área de medicamentos cardiovasculares.

Merck e Instituto Gulbenkian de Ciência assinam acordo inédito em Portugal

07/06/2013 - 14:28


A Merck S.A. e o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) vão assinar um acordo inédito em Portugal, para colaboração, licenciamento e opção na área da propriedade intelectual, avança comunicado de imprensa.


Com este acordo, a Merck passará a cooperar com o IGC na gestão e comercialização da sua propriedade intelectual.


O acordo prevê que o conhecimento científico e financiamento da Merck possam ser direccionados para projectos de investigação de fase inicial selecionados. A cooperação tem como objectivo o desenvolvimento e posterior comercialização de produtos inovadores que irão contribuir para melhorar a qualidade de vida dos doentes.


A assinatura do acordo vai decorrer a 19 de Junho de 2013, às 13:15, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


O IGC é um instituto de investigação biomédica integrado na Fundação Calouste Gulbenkian.

Bayer adquire Conceptus por 852 milhões

07/06/2013 - 09:05


O grupo farmacêutico alemão Bayer alcançou uma participação de 96,4% no laboratório americano especializado em desenvolvimento de métodos contraceptivos, a Conceptus, numa operação cujo montante definitivo ronda os 1.100 milhões de dólares (852 milhões de euros), avança o jornal económico OJE. A notícia é da Europa Press, com base na informação que a multinacional enviou à Comissão Nacional do Mercado de Valores.


Segundo a Bayer, está "iminente" a fusão da Conceptus com uma das suas filiais, o que se traduzirá na completa propriedade da empresa e passará pelo cancelamento das acções que não estão em seu poder em troca de o direito de serem reclamadas a 31 dólares (cerca de 24 euros) cada, o mesmo preço oferecido aos accionistas que optaram pela oferta da Bayer.


No seu exercício fiscal de 2012, a Conceptus alcançou um volume de negócios de 141 milhões de dólares (108 milhões de euros) e um EBITDA de 28,2 milhões (22 milhões de euros).
 

IF criticada por testar novos fármacos em países pobres

06/06/2013 - 08:50


As companhias farmacêuticas são acusadas de conduzir estudos clínicos com voluntários nos países em desenvolvimento. Depois de concluído o teste, os doentes são abandonados e não têm dinheiro para comprar o medicamento, dizem críticos, citados pela agência alemã DW.DE.


Em países mais pobres, muitas vezes, a única hipótese de um paciente receber tratamento médico é como voluntário em testes clínicos. "Esse é um argumento muito atraente", confirma Christian Wagner-Ahlfs, químico e investigador da campanha Pharma BUKO, organização que analisa actividades da indústria farmacêutica no mundo subdesenvolvido.


"Muitas pessoas na Índia vivem em pobreza extrema, o que significa que dificilmente têm possibilidade de receber tratamento médico. Para serem tratadas, elas teriam de pagar do próprio bolso, mas não podem", diz Wagner-Ahlfs. O investigador acusa as empresas farmacêuticas de usarem métodos questionáveis para explorar a população, como estudos clínicos.


O lobby farmacêutico refuta as acusações, mas não exclui a possibilidade de que existam excepções quando órgãos locais são contratados para fazer pesquisas. Em países populosos como Índia e China, é mais fácil encontrar voluntários com doenças "adequadas" para os testes.


Antes de tudo começar, eles precisam de concordar em submeter-se a tais testes, diz a VFA, uma associação de pesquisa da indústria farmacêutica. "As companhias podem até mesmo ajudar a corrigir deficiências na área da saúde equipando hospitais e outras instalações com tecnologia moderna e pessoal", argumentou Rolf Hömke.


Directrizes para testes de fármacos


Fármacos destinados a humanos precisam de ser testados em humanos – quanto a isso, há uma certa concordância entre cientistas. Até que um medicamento seja considerado pronto para uso, ele passa por um longo processo de desenvolvimento. A fase final de testes clínicos em seres humanos exige padrões específicos claros estabelecidos pela Declaração de Helsinque. O conjunto de normas foi fixado pela Associação Médica Mundial (WMA), entidade que reúne organizações médicas de mais de 100 países.


Os doentes devem ser informados sobre os detalhes do estudo, a participação é voluntária e eles podem, a qualquer momento e sem justificação, deixar o programa. Num comunicado, o chamado "consentimento informado", os doentes precisam de confirmar a sua saída com uma assinatura.


Qual tratamento os pacientes receberão depois do término dos estudos também precisa de ser esclarecido, enfatiza o secretário-geral da WMA, Otmar Kloiber: "O procedimento é importante principalmente em casos de pacientes com doenças crónicas. Eles não devem ser vistos como 'cobaias' e abandonados quando os estudos terminarem", defende.


Menos estudos, mais controlo


A Boehringer-Ingelheim afirma estar a trabalhar actualmente em 125 estudos clínicos em 72 países, com mais de 70 mil pacientes. Outras empresas apresentam números semelhantes.


"Muitos estudos são desnecessários, porque os fármacos são desenvolvidos em áreas onde a falta de avanço terapêutico já é previsível", critica Wagner-Ahlfs. Muitos medicamentos em teste diferenciam-se pouco das composições já existentes no mercado. "Eles [os testes] são feitos apenas para criar novas patentes e, assim, aumentar o lucro das empresas".


O facto é que voluntários de países mais pobres dispõem a sua saúde para o desenvolvimento dos fármacos, mas não têm condições de pagar pelo medicamento depois que ele está no mercado. “Este é um problema ético”, afirma o químico.


Não às pesquisas terceirizadas


A associação de pesquisa da indústria farmacêutica contesta a acusação de que as empresas estariam a terceirizar a maioria dos estudos em África ou na Ásia por questões económicas. Segundo dados estatísticos reunidos pelos EUA, só no país foram iniciados 2590 estudos no sector farmacêutico no ano passado. A Alemanha começou 715 pesquisas. Reino Unido, Canadá e França conduzem cada um cerca de 500 estudos, já na Índia foram ao menos 200.


Para que os critérios para os testes farmacêuticos sigam um padrão em todo o mundo, as autoridades dos EYA, Europa e Japão desenvolvem desde de 1970 a política de "Boas Práticas Clínicas".
As grandes empresas farmacêuticas dizem cumprir esses padrões éticos e científicos. Isso deve-se também ao próprio interesse da indústria: uma fabricante só pode solicitar a aprovação de uma nova droga depois e conseguir provar que todas as exigências foram cumpridas.
 

RCM Pharmagazine

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