Um olhar mordaz sobre o que se vai passando nos meandros da Indústria Farmacêutica e no mundo da Saúde
José Lourenço
Percurso Profissional
Jornalista RDP (1970-1980)
Indústria Farmacêutica (1980-2009)
- Delegado de Informação Médica
- Responsável do Serviço de Congressos
- Director de Comunicação (Sanofi-Aventis)
Dr. House
05-03-2010
Há alguns anos começou a vingar com muito sucesso a introdução dinâmica da vida pessoal com a profissional em séries policiais (por exemplo, Hilll Street Blues) e, mais recentemente, nas séries de Medicina, que exercem uma atracção muito especial.
Compreende-se o êxito da fórmula, porque todos nós temos vida pessoal para além da profissão que desempenhamos, sentindo-nos assim mais facilmente enleados no argumento e desempenho dos actores.
Sucede, no entanto, que esta dinâmica de realização gera uma floresta que nos impede de ver as árvores, que são fundamentais em processos de socorro básicos, para o que grande parte da população poderia e deveria estar preparada.
Recordo que há alguns anos se falou, no âmbito de reuniões da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, em tentar introduzir cursos básicos de ressuscitação nas escolas, o que, a par dos disfibrilhadores, que começam a ser colocados nos espaços púbicos, poderia salvar muitas vidas.
No caso da notícia seguinte, temos um paralelo interessante que seria bom considerarmos, por falarmos de séries televisivas consumidas por milhões de pessoas em todo o mundo e que poderiam constituir um veículo de apelo à união e educação dos doentes.
“Um trabalho apresentado no encontro anual da Academia Americana de Neurologia, revelou que em 327 episódios de "Anatomia de Grey", "Dr. House", "Clínica Privada" e "ER" (Serviço de Urgência), quase metade dos doentes com ataques de epilepsia foram mal socorridos.
Os investigadores centraram-se na análise de 59 ataques de epilepsia em que intervieram médicos e enfermeiras da televisão, como Grey e House.
Estes procedimentos errados, como deitar o doente, prender-lhe os movimentos ou colocar-lhe um objecto na boca, foram observados 25 vezes, 46% do total.”
Seria bom que a indústria televisiva tivesse o cuidado de preparar melhor os guiões, de preferência com a ajuda de profissionais, quando se dedica a (re)criar séries sobre a vida e actividade médica.
Enquanto lá para as bandas de Hollywood tal não sucede, o nosso pequeno plano local poderia seguir em frente!
O que pensam as Autoridades Portuguesas de Saúde?
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