Utentes do SNS pagam 23% das despesas de saúde

Das despesas totais em saúde, "23%" são pagamentos directos que saem do bolso dos portugueses", disse Jorge Simões, coordenador da obra “30 anos de Serviço Nacional de Saúde (SNS) – um percurso comentado”, que foi apresentada quarta-feira na livraria Almedina, avança o Diário de Coimbra.
Segundo o professor de Administração e Políticas de Saúde na Universidade de Aveiro, o número é "relativamente elevado, e metade é para despesas em farmácia", o que considera "uma factura complicada para muitos portugueses".
O que sobra, fica para consultas no sector privado, tratamentos de reabilitação e aparelhos como óculos. Para mudar o panorama, entende o responsável, pode contribuir a nova política de comparticipação estatal dos medicamentos, mas a sensibilização dos clínicos para o tema também é essencial, uma vez que "devem mudar de comportamento tendo em consideração que estão perante pessoas em estado frágil, não só de saúde, mas também económico". Só dessa forma "a promoção dos genéricos é positiva", defende Jorge Simões. "É um caminho que tem que ser percorrido até Julho [quando a medida entra em vigor], para que os médicos possam ter informação" sobre as novas políticas, acrescenta.
Para além dos custos da saúde, são muitos os temas retratados no livro, conta o Diário de Coimbra. As questões de lista de espera, "falamos delas nas cirurgias, mas andamos distraídos quanto às das consultas de especialidade", os cuidados continuados integrados, "um modelo muito importante tendo em conta a evolução demográfica" e as parcerias público-privadas, "uma querela ideológica da sociedade portuguesa", são outros dos capítulos assinados por médicos, economistas, sociólogos, professores e juristas. Também o sistema de mobilidade de médicos e doentes no espaço europeu, o modelo de financiamento do SNS ou a gestão dos cuidados primários integram o livro.
"A percepção pública sobre o SNS é esmagadoramente positiva. Os portugueses não pretendem mudar de sistema, mas também têm uma percepção crítica dos aspectos negativos", apontou o coordenador, para quem a expressão "tendencialmente gratuito" é um dos aspectos mais importantes para a compreensão dos políticos sobre o sistema.






