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Europa tenta chegar a compromisso para reduzir factores de risco para a saúde


Mais de 50 países europeus vão tentar chegar a um compromisso para reduzir factores de risco para a saúde relacionados com o ambiente, numa reunião onde os representantes portugueses pretendem realçar o Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde, avança a agência Lusa.

A V Conferência Ministerial da Saúde e Ambiente da Organização Mundial de Saúde (OMS) começou quarta-feira em Parma, Itália, reúne 53 países do espaço europeu e tem como objetivo avançar com uma declaração de compromissos ligados à defesa da saúde, atendendo a factores de risco ambientais, nomeadamente as alterações climáticas.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, e a alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, são os dois representantes de Portugal na conferência, que decorre até sexta-feira.

Humberto Rosa disse à agência Lusa que será dada uma atenção especial à “protecção da saúde das crianças através de um ambiente de qualidade”.

Também Maria do Céu Machado referiu que “normalmente são as crianças e os idosos que mais sofrem com as agressões climáticas. Por exemplo, as ondas de calor, no verão, nos meios urbanos, são um factor de maior mortalidade das pessoas idosas. As cheias e frio intenso também são prejudiciais para idosos e crianças e toda a população em situação de pobreza e exclusão social”, grupos que estão menos protegidos.

Aliás, esta conferência “tem também uma tónica importante nos determinantes ligados ao género, aos homens e mulheres, e nos determinantes sociais”, afirmou a alta comissária da Saúde, avançando com o exemplo do “fenómeno da ilha urbana de calor: “Se as cidades tiverem falta de espaços verdes há uma concentração de calor devido ao tráfego, [ao calor] emanado das casas, de todos os edifícios” e “podem ter 11 ou 12 graus de diferença face à periferia”, uma situação que afecta especialmente os idosos.

Alguns temas prioritários da conferência estão relacionados com áreas que “ainda podem constituir uma ameaça, no quadro da União Europeia, como saneamento básico, espaços construídos, qualidade do ar ambiente e interior, exposição a substâncias químicas ou ruído”, frisou, por sua vez, Humberto Rosa.

A expetativa é conseguir uma declaração ministerial “assumindo o compromisso de reduzir os principais fatores de risco para a saúde humana de origem ambiental, nos próximos 10 anos”, realçou Humberto Rosa.

A alta comissária da Saúde referiu que a proposta da OMS é que “também que se estabeleça uma comissão em que cada país está representado por uma pessoa do Ambiente e uma pessoa da Saúde, com compromisso de fazer reuniões periódicas e tentar implementar as estratégias.”

Nesta área, Portugal tem “um relativo conforto” pois, ao contrário de “muitos países”, já tem em curso o Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde (PNAAS), uma iniciativa que os representantes portugueses na reunião pretendem “pôr em evidência”, disse ainda Humberto Rosa.

O PNAAS contempla 36 ações em domínios prioritários que precisam de atenção, como a qualidade do ar, solos e sedimentos, quando há casos de contaminação, produtos químicos, alimentos, ruído, espaços construídos, radiações e fenómenos meteorológicos extremos, disse.

2010-03-11 | 09:01

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