Lesões provocadas pela diabetes são a principal causa de doença renal crónica

As lesões provocadas pela diabetes nos rins são a principal causa de doença renal crónica grave que necessita diálise ou transplantes. A nefropatia diabética é também responsável por cerca de um terço de todos os doentes que iniciam diálise, avança a agência Lusa.
A nefropatia diabética, que se caracteriza por albuminúria persistente (presença de albumina na urina), evoluindo para insuficiência renal crónica, atinge cerca de 40 por cento dos doentes com diabetes tipo I e cerca de 25 por cento dos doentes com diabetes tipo II.
“O facto de haver muito mais diabéticos tipo II em diálise resulta da maior prevalência deste tipo de diabetes”, segundo a Sociedade Portuguesa de Nefrologia, que vai debater este tema na sexta feira, no 9º Congresso Português de Diabetes, que está a decorrer em Vilamoura.
No “Dia do Rim”, que hoje se assinala, o nefrologista José Vinhas disse à agência Lusa que o número de novos doentes que em cada ano necessita de diálise é de 230 por cada milhão de população.
“São números bastante altos em termos europeus”, afirmou o nefrologista, sublinhando que estes números só “têm paralelo na Turquia”.
José Vinhas adiantou que há um “misto de várias razões” que contribuem para estes dados, lembrando que a principal causa da doença renal crónica é a diabetes, que tem uma prevalência em Portugal muito grande (11,7 por cento), mas também a obesidade e as doenças cardiovasculares.
Segundo a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPF), um em cada 10 portugueses sofre de doença renal crónica e, todos os anos, são registados 2500 novos casos de insuficiência renal crónica terminal.
Há mais de 16 mil doentes com a forma mais grave de Doença Renal Crónica, ou seja, a necessitar de diálise (cerca de 10 mil) ou transplantados renais (seis mil).
A prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para prevenir esta doença, que é uma patologia progressiva com elevada taxa de mortalidade e que “ameaça tornar-se um grave problema de saúde pública, com implicações sérias no Serviço Nacional de Saúde”, refere a SPF.
A ausência de sintomas nos primeiros estádios da doença faz com que grande parte da população desvalorize, ignore ou adie os cuidados a ter com a saúde dos seus rins.
Os principais sinais de alerta para a sua existência são ardor ou dificuldade em urinar, urinar frequentemente, sobretudo durante a noite, urinar com sangue, olhos, mãos e/ou pés inchados, especialmente em crianças, dor na zona lombar que não se altera com o movimento e tensão arterial elevada.
O Dia Mundial do Rim tem este ano como tema a diabetes enquanto principal causa da Doença Renal Crónica, realçando a importância da detecção precoce e da prevenção desta patologia.






