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Consumo de ansiolíticos e antidepressivos aquém da meta traçada


O consumo de ansiolíticos e antidepressivos, a mortalidade por suicídio e os nascimentos prematuros foram algumas áreas que ficaram aquém da meta traçada no actual Plano Nacional de Saúde (PNS), tendo mesmo crescido no “sentido contrário”, avança a agência Lusa.

A alta comissária da Saúde analisou terça-feira no III Fórum Nacional de Saúde, que está a decorrer em Lisboa, a evolução do PNS 2004-2010, começando por salientar os bons resultados: “85% dos indicadores de mortalidade atingiram a meta, o que significa que se está a morrer menos em Portugal”.

Mas alguns indicadores foram “no sentido contrário à meta”, como a mortalidade por suicídio, cujo objectivo era baixar para 2,5 por 100 mil habitantes e aumentou de 4,9 em 2001 para 5,7 em 2008.

Também o consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos ultrapassou a meta traçada (92,5). Em 2001, o consumo situava-se nos 115,6 e subiu para 152,1 em 2008.

À margem do fórum, a ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou que, apesar da taxa de suicídio ter um valor muito negativo em Portugal, é inferior quando comparada com outros países europeus.

Ana Jorge explicou que não se podem analisar isoladamente os números, mas ter em consideração vários factores e analisar as causas, como por exemplo se os suicídios foram inscritos em certidões de óbito, que actualmente são mais rigorosas.

Para o economista e especialista em Saúde Jorge Simões, esta situação causa uma “enorme preocupação”, mas salientou que “o resultado português é muito melhor do que a média da União Europeia”.

“É necessário olhar para o contexto económico”, disse o economista, lembrando a “situação de depressão económica, o aumento de desemprego e de situações complexas do ponto de vista social”.

Maria do Céu Machado alertou ainda para outros indicadores que ficaram aquém da meta do PNS: “Prematuridade, baixo peso e partos por cesariana”.

Apesar de ter havido “alguma melhoria” nos indicadores relativos à saúde escolar, nomeadamente nas taxas de cobertura de monitorização do estado de saúde, ainda “estamos muito longe da meta a que nos propusemos”, frisou a responsável, defendendo que “alguma coisa tem de ser feita nesta área”.

A ministra da Saúde afirmou que “a ligação entre as escolas e os centros de saúde é muito assimétrica no país”, havendo zonas onde a “intervenção é muito bem feita”, tendo havido “grandes avanços na área da Educação”.

Para Ana Jorge, a reorganização dos centros de saúde, com as equipas de cuidados na comunidade, e a reorganização das equipas das unidades de saúde pública poderão reforçar este tipo de intervenção nas escolas.

A alta comissária da Saúde salientou ainda que a esperança de vida à nascença tem aumentado muito, mas ainda não está na meta que o Plano tinha proposto.

Há outros indicadores que estão a caminho da meta, como a percentagem de primeiras consultas, que devem representar um terço do total de consultas externas hospitalares: “Melhorámos de 24 para 27, mas estamos longe da meta que era 33%”.

Jorge Simões adiantou que houve metas do Plano que não foram conseguidas, mas frisou que é “necessário olhar com atenção e comparar os valores de 2008 com a média da União Europeia”.

“E o que é facto é que, nessa comparação, nós saímos com resultados francamente positivos”, disse, comentando que “talvez tenha havido demasiado optimismo quando foram fixadas algumas metas”.

2010-03-10 | 09:27

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