Enfermeiros insistem em prescrever alguns medicamentos

Conveniências corporativistas e de poder estão por detrás da veemente discordância em relação à possibilidade de os enfermeiros poderem prescrever alguns medicamentos, a exemplo do que já acontece noutros países, como Espanha, escreve o Jornal de Notícias. A acusação é do presidente da secção Norte da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, que rejeita assim as recentes afirmações do bastonário da Ordem dos Médicos.
Confrontado com a prescrição por enfermeiros em Espanha, Pedro Nunes afirmara que estes não têm qualificação para tal e, caso o fizessem, seria muito arriscado para a população. Ora, defende Germano Couto, o caso não tem nada a ver com habilitações. "São os enfermeiros, nos serviços onde exercem, quem administra, vigia e monitoriza os efeitos da medicação, avaliam e decidem quando se deve administrar prescrições condicionais e alertam para a necessidade de suspensão de fármacos" potencialmente nefastos.
O dirigente afirma mesmo que "os utentes estariam em maus lençóis se os enfermeiros não prescrevessem em situações de urgência e emergência". Ou "se não alertassem os médicos de que a medicação prescrita não se adequa, contém erros ou potencia efeitos indesejados". Garante Germano Couto que, "certamente, a morbilidade seria enorme".
Alertando para os estudos que demonstram que são os enfermeiros quem mais erros de prescrição detectam, chama a atenção para o facto de já estar contemplada na lei a possibilidade de os enfermeiros-obstetras prescreverem exames. Porém, o Governo ainda não criou instrumentos legais que permitam aos utentes usufruir dos direitos na comparticipação.






