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Doenças tropicais negligenciadas afectam um bilião de pessoas


Investigadores nacionais e internacionais vão debater durante três dias, em Lisboa, formas de combater as doenças tropicais negligenciadas, que afectam cerca de um bilião de pessoas, principalmente em África, noticia a agência Lusa.

No total, são 14 doenças, raramente investigadas, que matam menos do que a sida, tuberculose ou malária, mas causam “um sofrimento e incapacidade para o trabalho muito significativos”, disse à Lusa o especialista em Medicina Tropical Jorge Seixas.

“É preciso acordar para a existência destas doenças que são negligenciadas”, alertou o investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

Para debater este tema, a Fundação Calouste Gulbenkian promove, no quadro da iniciativa Fundações Europeias para as Doenças Tropicais Negligenciadas, a conferência “Doenças tropicais negligenciadas: sucessos escondidos, oportunidades emergentes”, que reunirá entre segunda e quarta feira vários especialistas em Lisboa, entre os quais altos responsáveis da Oeganização Mundial de Saúde (OMS).

Entre estas doenças encontram-se a lepra, a leismaniose, a doença de chagas, a filariase linfática, as febres hemorrágicas, incluindo o dengue, a dracunculíase, mais conhecida pelo verme da Guiné, e a doença do sono, provocada pela mosca tsé-tsé.

As crianças são as “primeiras vítimas” destas doenças, que podem levar à “estigmatização e à discriminação”, uma vez que algumas, como a lepra e a leismaniose, deformam as pessoas, sublinhou o investigador.

Jorge Seixas explicou que são “doenças da pobreza”, que atingem uma grande percentagem de pessoas, principalmente em África, que “vivem em zonas remotas, rurais, pobres e de conflito” e que estão associadas à pobreza, má qualidade da água e do saneamento básico.

“Algumas destas doenças foram escolhidas como alvo preferencial desta iniciativa europeia, no sentido de fornecer aos investigadores, principalmente africanos, instrumentos que permitam estabelecer métodos de controlo de diagnóstico, que nem sempre incluem novos métodos”.

A iniciativa que irá decorrer em Lisboa visa “chamar a atenção das autoridades regionais e nacionais desses países”, referiu Jorge Seixas, lembrando que estas doenças afetam pessoas que “moram no meio do mato e, como não morrem, as autoridades políticas têm tendência a esquecê-los”.

“Tendo em conta as características desta população e destas doenças, que seriam teoricamente fáceis de controlar, não faz sentido, por exemplo, as empresas farmacêuticas investirem muito na investigação para medicamentos”, explicou.

Para o investigador, a “solução” passa por parcerias entre organizações públicas e privadas e por “melhorar os instrumentos que existem”.

“Com este tipo de iniciativa o que se pretende é dar uma possibilidade e uma voz ativa aos investigadores que estão no local e que têm uma perceção mais consistente do que pode ser feito para alterar esse panorama”, acrescentou.

2010-02-08 | 08:53

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