Jovens enfermeiros denunciam precariedade laboral

Ao som de música natalícia, jovens enfermeiros deixaram esta sexta-feira presentes à porta do Hospital Curry Cabral e cartas dirigidas ao Pai Natal, num protesto simbólico para denunciar a “precariedade” laboral que afecta 800 profissionais na região de Lisboa, noticia a agência Lusa.
Uma corda com 800 cartas de enfermeiros para o Pai Natal, presas por molas, cartazes e “prendas”, com inscrições que manifestam a exigência dos enfermeiros, despertam a atenção de quem passa pela porta daquele hospital em Lisboa.
“Este é um ponto negro de precariedade”, “Salários dignos”, “Fim dos recibos verdes e de subcontratação como vínculo para funções permanentes” e “Dotações seguras” são os apelos dos jovens enfermeiros afixados nos presentes e nos cartazes.
À porta do hospital, perto de duas dezenas de enfermeiros iam distribuindo panfletos com as suas reivindicações.
“Nós decidimos marcar este dia com uma acção simbólica para denunciar a precariedade existente no distrito de Lisboa”, disse à agência Lusa Isabel Barbosa, da direcção regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que convocou o protesto.
A escolha do Hospital Curry Cabral para fazer o protesto tem uma razão: “De todas as instituições, é aquela que detém mais vínculos precários (154), não considerando os centros de saúde”, sublinhou Isabel Barbosa.
O enfermeiro Pedro Salgueiro trabalha naquele hospital há cinco anos com vínculos precários. “Inicialmente eram contratos de seis meses, ultimamente têm sido renovados pelo período de um ano”, disse à Lusa.
Para Pedro Salgueiro, a sua situação laboral é de “incerteza” em relação ao futuro.
“Este ano o meu contrato encontra-se em vigor até 31 de Julho de 2010”, disse o enfermeiro, que deixou o Interior, onde vivia, para trabalhar em Lisboa.
Pedro Salgueiro adiantou que a situação de “instabilidade” que vive não lhe permite traçar grandes planos para o futuro.
“Gosto do sítio onde estou e as condições de trabalho não são más, mas o contrato é que não dá estabilidade para o futuro”, comentou.
A situação precária dos jovens enfermeiros afecta 5000 profissionais a nível nacional, segundo Pedro Frias, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
“Temos uma situação bastante complicada em termos de vínculos precários a nível nacional e no que diz respeito aos jovens enfermeiros”, sublinhou à Lusa.
Pedro Frias salientou que existem cerca de “5000 enfermeiros com contratos a prazo no país, muitos deles nas instituições do sector público administrativo, que dependem directamente da regulação do Ministério da Saúde da abertura ou não de concursos”.
“O Ministério da Saúde descongelou agora 1627 quotas que são insuficientes para aquilo que são os vínculos precários que existem na totalidade das instituições”, acrescentou Pedro Frias.
Nas cartas dirigidas ao Pai Natal, os enfermeiros expressam o desejo que gostariam de ver realizado este Natal: um vínculo efectivo para o posto de trabalho permanente, maior dotação de enfermeiros nas instituições, uma carreira para a enfermagem inteira que “valorize as competências, penosidade e responsabilidade adquiridas pelos enfermeiros”.






