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Tibete

2010-06-23 | 07:08

TibeteNo tecto do mundo

 

Independentemente de questões políticas e de justas ou menos justas causas, o Tibete, seja como território integrante da República Popular da China, seja como estado autónomo ou como nação independente, sempre preencheu o imaginário de gerações e gerações de viajantes e aventureiros. A região, para todos os efeitos, é conhecida por ser habitáculo de algumas das maiores montanhas do mundo, à cabeça das quais o mais famoso e mítico pico do mundo – Chomolangma, na versão tibetana, ou Evereste, como é mais usualmente designado.

Mas o território, encaixado em plenos Himalaias, é também alvo de devoção, admiração e desafio. Para os budistas, é sagrado, é o berço do Dalai Lama, é onde os homens mais perto chegam do estado divino. Para os alpinistas e intrépidos aventureiros, é o desafio de superar os seus próprios limites, de subir e descer até onde não mais é possível, de percorrer trilhos, glaciares e flancos cobertos de gelo e neve encurralados entre paredes rochosas. E, por todo o lado, como numa fusão entre a crença e a devoção, as bandeiras de orações enxameiam os caminhos.

O Tibete, contudo, ainda que seja montanha, não se resume a ela. A capital Lhasa – 150 mil habitantes que vivem à altitude de 3.700 metros –, envolta num denso manto de mistério, encarna o misticismo e, por isso, corre o risco de defraudar quem nela poisa os pés. É uma cidade de ruas geométricas, sofrendo os efeitos da influência chinesa na traça, que ainda é mais perceptível na gigantesca praça que reporta imediatamente para a Tiananmen de Pequim. Para os idealistas, o desapontamento maior é conferido pela quantidade exorbitante de lojas de souvenirs e recordações, como se de uma grande feira se tratasse. O resto, o verdadeiro engodo, a jóia da coroa, é o palácio Potala, alcandorado no declive de uma montanha. Ao vivo e a cores, é ainda mais belo do que se imagina ou do que se tinha no arquivo da memória das fotografias. É grande, imponente, sublime. Belo. Só por ele – e também pelo que representa – vale a pena ir a Lhasa.

Mas os mais persistentes devem percorrer na totalidade a grandiosa avenida central, onde parece que por fim se chega ao Tibete. Alguns quarteirões depois, está-se no reino das ruelas esconsas e labirínticas, casas de não mais de dois andares e profusamente decoradas com símbolos tibetanos e cores garridas – à tibetana. Por fim.

 

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