Dor crónica custa mais de 4600 milhões de euros por ano em Portugal

19/06/2014 - 08:01


Um doente com dor crónica custa, em média, quase 1900 euros por ano. O problema afecta sobretudo idosos, mas também uma grande parte de pessoas entre os 45 e os 60 anos, pelo que os custos indirectos com a doença, nomeadamente com as reformas antecipadas e o absentismo, acabam por ultrapassar os custos directos com medicamentos e serviços de saúde. Ao todo estima-se que, anualmente, Portugal gaste 4611 milhões de euros com a dor crónica, de acordo com um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que aponta para que só 1997 milhões sejam de despesas directas, avança o jornal Público.


As principais conclusões do estudo que começou em 2008 e que será apresentado no sábado, em Oeiras, no Fórum Futuro 2014, foram antecipados ao Público pelo investigador principal do trabalho, Luís Azevedo, que adiantou que os dados mostram que os custos indirectos por cada doente representam 57% do total. “Esta é a primeira vez que se descreve em Portugal, de forma precisa, o enorme impacto dos custos directos e indirectos da dor crónica o que é fundamental para consubstanciar a rede do programa estratégico da dor no país”, acrescentou o investigador, lembrando que as estimativas apontam para que 30% dos adultos sejam afectados pelo problema.

 

“A dor crónica tem um grande impacto tanto a nível individual como social, e torna-se especialmente relevante ao atingir as pessoas entre os 45 e os 60 anos, idades em que a perda de trabalho dificulta o regresso ao mercado e leva a aposentações antecipadas”, alertou Luís Azevedo, que disse que a falta de conhecimento sobre o problema leva a que “sejam os próprios doentes a não procurarem ajuda cedo e a não fazerem o tratamento adequado”.

 

No estudo, nos custos directos foram incluídas as despesas relacionadas com consultas, exames, tratamentos e medicamentos para a dor. Já nos custos indirectos entraram parcelas como o absentismo, as reformas precoces e a perda de emprego. A redução da produtividade por afastamento do local de trabalho foi calculada tendo como base o número de dias perdidos e o rendimento diário nacional de cada classe específica. Somados os dois valores, sublinhou o investigador, a verba ascende já a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Os dados foram recolhidos com base numa amostra inicial representativa da população portuguesa e composta por 5094 pessoas. Na amostra foram identificadas as pessoas com dor crónica e 562 aceitaram integrar a segunda parte do trabalho que detalhou as pessoas afectadas e respectivas despesas. “Os custos associados à dor crónica observam-se naturalmente de forma mais elevada em quem tem a doença com mais intensidade. Mas também percebemos que os custos são significativamente maiores nas mulheres, aliás quase o dobro do que nos homens, e que a dor crónica afecta mais as populações vulneráveis, desde reformados a indivíduos com menor escolaridade e menores rendimentos”, precisou Luís Azevedo.

 

Esta doença caracteriza-se por uma dor recorrente ou persistente e que dura há mais de três meses, mesmo depois de curada a lesão ou doença que a originou. As causas mais frequentes da dor crónica são doenças como lombalgia crónica, a osteoartrose, as cefaleias e a artrite reumatóide. No topo da lista, destacou Luís Azevedo, surgem precisamente as doenças osteoarticulares, dando como exemplo a dor lombar, as patologias da coluna vertebral, do joelho ou do ombro.

 

O estudo surge quando no final de 2013 foi aprovado o Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor, que realçou a importância de se entender a dor como um quinto sinal vital e que veio defender a importância de se controlar a mesma e de proporcionar aos doentes um tratamento diferenciado. O plano tem como principal objectivos reduzir os casos em que a dor na população não está sequer controlada, para melhorar assim a qualidade de vida das pessoas e gerir de melhor forma os custos associados a esta doença.

 

Para isso, no plano são definidos grupos com necessidades específicas, como as crianças, os idosos e os doentes críticos, assim como é estabelecida a necessidade de rever as orientações técnicas para o tratamento da dor crónica, acompanhar a sua aplicação no terreno e sensibilizar e formar os profissionais de saúde para que saibam proporcionar as respostas adequadas.

 

Luís Azevedo espera que o estudo que liderou contribua para este plano e para a reformulação do tratamento da doença com o reforço da aposta na prevenção e no diagnóstico precoce, sobretudo numa altura de fortes restrições orçamentais no país, que também afectam o sector da saúde: “Nós vamos ter no futuro as mesmas restrições económicas e financeiras que temos agora e que têm consequências no tratamento mais diferenciado. Mas tendo em conta a magnitude do problema, a chave para a gestão mais adequada da dor crónica está nos cuidados de saúde primários, que são onde temos a primeira linha de contacto com o doente e a oportunidade de apostar na prevenção e detecção atempada desse problema”.

 

Ainda assim, o também médico clarificou que a mudança de paradigma permitirá reduzir a factura de custos indirectos, mas com uma necessidade de aumento dos custos directos – já que a ideia é que as pessoas tenham mais acompanhamento e resposta por parte dos serviços de saúde para que recuperem a sua actividade e qualidade de vida.

 

 

Fonte: Público
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/dor-cronica-custa-mais-de-4600-m...

Mais de 42% dos adultos portugueses são hipertensos

11/06/2014 - 08:45

A prevalência da hipertensão na população adulta portuguesa é de 42,2%, mantendo-se em níveis idênticos aos de há dez anos, mas a mortalidade por AVC baixou 46% na última década, revela um estudo apresentado no Porto, avança a agência Lusa, citada pelo Jornal de Notícias.


A redução do consumo de sal nos doentes hipertensos, a redução da pressão arterial, a mudança do tipo de medicação anti hipertensora, a melhoria da acessibilidade dos doentes ao Serviço Nacional de Saúde e o maior conhecimento da doença pela população explicam a redução da taxa de mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC).

 

Coordenado por Jorge Polónia, docente e investigador da Faculdade de Medicina do Porto, o PHYSA é considerado o "maior e mais completo" trabalho alguma vez realizado em Portugal sobre prevalência e controlo de hipertensão, consumo de sal e padrões genéticos relacionados com hipertensão, por registos efectuados em dois momentos diferentes, com dez anos de distância.

 

Na apresentação das conclusões do estudo, Jorge Polónia manifestou alguns receios de que a crise possa inverter alguns dos bons resultados obtidos nos últimos dez anos, apelando por isso ao Ministério da Saúde para que continue a investir no controlo desta doença.

 

Portugal continua no topo da tabela dos países europeus em que a mortalidade por AVC é maior do que a por enfarte do miocárdio, por isso, o especialista defendeu "uma maior ou total comparticipação dos medicamentos" anti hipertensores à semelhança do que acontece com a diabetes e a sida.

 

"Porque é que a doença que mais mata em Portugal não tem o mesmo tipo de tratamento?", questionou o especialista, sublinhando também a necessidade de investir nos rastreios à população, desde criança.

 

O PHYSA foi avaliada uma amostra representativa da população portuguesa, constituída por 3720 pessoas, com idades entre os 18 e os 90 anos, recrutadas nos centros de saúde.

 

Os dados revelam que a prevalência da HTA em Portugal é de 42%, sendo ligeira mas significativamente mais elevada nos homens (44,4%) por comparação às mulheres (40,2%) e nos mais velhos por comparação aos mais novos.

 

A pesquisa demonstrou, ainda, que a taxa de obesidade na população portuguesa é de 20,4%, tendo aumentado cerca de 8% nos últimos dez anos, sobretudo nas mulheres, neste estudo a obesidade está associada ao aumento da prevalência de hipertensão, consumo de sal, doenças cardiovasculares e escolaridade mais baixa.

 

O estudo revelou que a ingestão média diária de sal, na população portuguesa, é de 10,7 gramas. As recomendações internacionais estabelecem um limite máximo de 5,8 gramas de sal/dia.

 

O THYSA demonstrou que, comparativamente aos resultados obtidos em 2003, em 2012 a taxa de conhecimento e tratamento da hipertensão arterial quase duplicou. A prevalência da hipertensão continua elevada, mas a taxa de controlo aumento 3,8 vezes neste intervalo. Contudo, só 42,6% dos doentes hipertensos estão devidamente controlados.

 

Este estudo foi realizado em colaboração e com financiamento da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

 

 

Fonte: Lusa/Jornal de Notícias
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=...

DGS: até leigos podem medicar diabéticos em hipoglicemia

06/06/2014 - 08:16


Um parecer da Direcção-Geral de Saúde divulgado esta quinta-feira considera que qualquer pessoa, até um leigo, pode administrar o tratamento de emergência a pessoas com diabetes sem consciência por causa de uma hipoglicemia, avança o jornal i.


A orientação foi tornada pública no site da DGS numa altura em que se aguarda o veredicto do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa sobre uma providência cautelar interposta pela Ordem dos Enfermeiros para travar as novas competências dos Técnicos de Ambulância e Emergência no socorro de doentes. Embora as novas competências estejam legisladas desde 2012, a única que já foi aplicada consiste na medicação de diabéticos e nos últimos cinco meses os TAE intervieram em mais de 170 situações desta natureza. Na semana passada, segundo a advogada do sindicato, a juiza tinha determinado a suspensão provisória desta actividade mas o despacho com essa indicação ainda não chegou aos serviços. Amanhã haverá nova sessão no tribunal e Elsa Brás adiantou que o novo parecer deverá ser adicionado ao processo.

 

O parecer da DGS, que não esclarece em que contexto é emitido, refere que o glucagom – o medicamento em causa nestes socorros nas ambulâncias – já vem preparado “num estojo de fácil utilização por qualquer leigo, amigo, familiar ou colega.” Refere que os diabéticos devem ser ensinados a usar a injecção e que os meios de emergência devem ser capazes de actuar de imediato.

 

Fonte: i
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/dgs-leigos-podem-medicar-diabetic...

Consultas online sem controlo

05/06/2014 - 08:49

Há cada vez mais sites em Portugal que oferecem consultas médicas online. A situação está a preocupar as ordens profissionais que alertam para a necessidade de se regulamentar esta nova realidade, que pode ter elevados perigos para saúde dos utentes. Isto por haver o risco de as consultas serem dadas por especialistas ilegais, de não cumprirem as regras éticas e de não haver garantia do sigilo das informações, avança o semanário SOL.

 

Nutricionistas, dietistas e psicólogos são dos que têm mais consultórios online. Mas também há consultas virtuais para psiquiatria, clínica geral e familiar, VIH e sexologia, entre outros.

 

Entre os nutricionistas, a situação assume particular gravidade. “O assunto preocupa-nos, pois temos muitas denúncias de sites que prestam serviços ilegais, em que os profissionais não estão registados sequer na Ordem”, adianta ao SOL Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas (ON), acrescentando que tem enviado muitas queixas ao Ministério Público. “São em número suficiente para nos preocuparem”, afirma. Quando os utentes recorrem a consultas na net para emagrecer, sublinha, devem primeiro verificar o registo nacional de nutricionistas, consultável no site da ON e que conta com 2.200 profissionais. “É perigoso não o fazerem”, avisa.

 

Conversas por Skype

 

Mas a realização de consultas online por nutricionistas legalizados também não é pacífica dentro da ON, admite Alexandra Bento. “Há vozes discordantes que defendem que a primeira consulta deve ser sempre presencial, para observação da pessoa” - revela a responsável, acrescentando que o assunto foi discutido no conselho jurisdicional da Ordem e que em Julho será feito um debate interno mais alargado para definir uma posição oficial. “Tem de se clarificar as regras. Neste momento, há apenas o código deontológico”.

 

A maioria das consultas é feita através de Skype (software que permite comunicação através de imagem e voz pela Internet) e tem um preço mais barato.

 

Elizabete Machado, de 29 anos, abriu o seu consultório online 'Nutrição na Web' há cerca de dois anos. “As pessoas enviam-me por e-mail os dados e, depois de pagarem 30 euros pela primeira consulta e 10 pelas de seguimento, combinamos uma hora para a consulta no Skype”, conta ao SOL, referindo que há quem desista depois de saber que tem de pagar.

 

Um dos consultórios virtuais mais concorridos é o 'Anutricionista', de Ana Ribeiro. “Abri há quatro anos, quando não havia praticamente consultas online em Portugal”, recorda ao SOL a nutricionista, acrescentando que neste momento tem 35 doentes virtuais, que atende em horário pós-laboral. Antes da primeira consulta, envia-lhes um protocolo em que os doentes têm de detalhar um conjunto de informações, podendo juntar análises clínicas. “A grande diferença é que não os meço nem os peso, tenho de acreditar no que me dizem”, explica Ana Ribeiro, que cobra 30 euros por uma primeira consulta de 50 minutos.

 

Psicólogos criam comissão

 

A Ordem dos Psicólogos também está “atenta à situação”, adianta ao SOL o bastonário. Telmo Mourinho Baptista revela que foi criada uma comissão de especialistas que vai definir um conjunto de recomendações para os 20 mil profissionais inscritos seguirem, caso queiram entrar no negócio na net.

 

“Há o código deontológico, que é extenso e recente, mas vamos adicionar as recomendações”, explica o bastonário, frisando que um dos aspectos mais preocupantes é a garantia do sigilo: “É preciso pensar sobre este assunto”.

 

A psicóloga Cláudia Morais começou por dar consultas a doentes que iam para o estrangeiro e lhe pediam para continuar a acompanhá-los: “Não se sentiam à vontade para ter consultas noutra língua”. Hoje, além de um espaço físico, tem um consultório virtual ('apsicologa') onde atende 10% das consultas que dá por mês.

 

A clínica Tágide online, com oito profissionais destacados, está também a especializar-se em consultas via e-mail ou Skype - nas áreas de psicologia, sexologia, VIH e até psiquiatria. Dirigida pelo psiquiatra Cláudio Moraes Sarmento, a clínica promove mesmo psicoterapia de grupo. É feita numa “sala de chat dentro do site, com um terapeuta, num horário a combinar entre todos e num grupo até 10 elementos”, lê-se na página do consultório online.

 

Médicos exigem presença

 

Segundo dados da clínica - em que muitos dos clientes são portugueses residentes no estrangeiro -, as consultas de psiquiatria requerem sempre antes uma consulta presencial, ao contrário das de psicologia. Aliás, se não for assim, a Ordem dos Médicos (OM) considera que as consultas não cumprem os requisitos.

 

Segundo adiantou ao SOL o presidente do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da OM, foi dado um parecer sobre o assunto já este ano. “O Colégio considera que é sempre preciso um conhecimento prévio do doente - definindo o médico o número de consultas presenciais necessárias para isso - antes de se avançar para o contacto por Internet ou telefone”, clarifica Luís Carlos Gamito, explicando que o parecer surgiu na sequência de um pedido de um colega que queria saber como exercer a profissão na Internet.

 

Muitos dos sites que disponibilizam consultas médicas estão associados à venda de medicamentos (ver texto ao lado). O '121doc', por exemplo, apresenta-se como um local que fornece consultas online “discretas e cómodas” e garante a prescrição de medicamentos por médicos qualificados, para problemas como ejaculação precoce, impotência e obesidade.

 

“Este assunto será debatido na OM, pois à partida uma consulta pressupõe uma observação física do doente” - alerta o bastonário dos Médicos, José Manuel Silva, lembrando que é preciso analisar caso a caso para ver se há ilegalidades. “E há ainda muitos casos em que se está a usar a palavra 'consulta' de forma abusiva, quando na realidade são apenas locais onde se tiram dúvidas”.

 

É este, por exemplo, o serviço prestado pelo site 'consultasmedicasonline', em que uma médica de clínica geral se disponibiliza a dar todo o tipo de informações através de um chat (o que custa 88 cêntimos por minuto) ou por e-mail (cerca de 26 euros).

 

Fonte: SOL
http://www.sol.pt/noticia/107096 

Portuguesas vivem cada vez mais tempo, mas com menos saúde

02/06/2014 - 08:39

Em apenas cinco décadas, as mulheres portuguesas ganharam quase 20 anos de vida, em média. A esperança de vida aumentou de forma impressionante, colocando Portugal no top ten mundial (em 2012, era de quase 84 anos), avança o jornal Público. Mas há um reverso da medalha: as portuguesas desfrutam de menos anos de vida saudável do que as mulheres de grande parte dos países europeus. Conseguimos adiar a morte, mas não a doença. Os baixos salários e reformas e a herança pesada de uma "vida dura" de muitas mulheres que hoje são idosas, com reflexo na qualidade de vida, podem explicar uma parte deste resultado. Porém, há também que ter em conta que este indicador inclui uma auto-avaliação e, constatam os especialistas, "as mulheres queixam-se muito".

 

Compare-se Portugal com a Noruega, o país melhor classificado em Healthy Life Years (HLY, sigla em inglês), indicador do número de anos de vida que uma pessoa pode esperar viver sem incapacidades ou limitações funcionais de longa duração. Quando se olha para a esperança de vida à nascença das portuguesas, 83,6 anos (os dados do base europeia Eurostat são diferentes dos do Instituto Nacional de Estatística recentemente divulgados porque este último calcula a média por triénios), estamos entre os melhores do mundo. As portuguesas já vivem mais, em média, do que as norueguesas, mas quando se tenta avaliar a qualidade com que passam os últimos anos de vida a diferença é enorme. Às segundas aguarda-as um cenário de envelhecimento bem mais animador: aos 65 anos, podem contar (e estamos sempre a falar de médias) com quase 16 anos de vida sem incapacidades. De regresso a Portugal, o futuro apresenta-se mais negro: aos 65 anos, na idade em que habitualmente se entra na reforma, as portuguesas podem esperar por seis anos de vida saudável. São quase dez anos de diferença.

 

Viver mais tempo é importante, mas saber se esse tempo é vivido com boa saúde também. Tanto que este dado é considerado desde há uma década como um dos indicadores estruturais da Comissão Europeia. Não basta por a ênfase na longevidade, mas avaliar também a qualidade de vida e o bem-estar dos cidadãos. O problema é que, no mapa da União Europeia (os dados são da Comissão Europeia ), olhando para os anos de vida saudável no feminino, Portugal apenas aparece à frente de alguns países do Leste. A Eslováquia é o pior classificado, com uma média de 3,1 HLY.

 

Mesmo no contexto nacional, as mulheres perdem para os homens neste indicador específico. Vivem mais anos, mas com menos qualidade.

 

"São muito queixosas"

 

Como se explica este aparente paradoxo? “O envelhecimento é mais complicado para as mulheres. Em Portugal as mulheres têm graves problemas de morbilidade, muitas doenças. Também são muito queixosas. Algumas tiveram carreiras profissionais muito incompletas, e, por isso, têm pensões mais baixas. Vivem mais tempo mas em pior estado de saúde”, reflecte a socióloga Ana Fernandes, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa.

 

“Há uma série de factores que contribuem para a qualidade de vida. As mulheres auferem menores salários, faltam mais tempo para cuidar dos filhos, dos maridos, dos pais, têm reformas inferiores”, corrobora Maria João Quintela, médica especialista em geriatria . O rendimento também conta. “Se uma pessoa não tem dinheiro para comprar uma prótese auditiva, para substituir os óculos, fica mais incapacitada”, observa.

 

Mas este indicador reflecte também o preço que se paga pelo aumento da longevidade, notam os especialistas. “A longevidade acaba por trazer esse tipo de penalização”, observa Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia, que alerta para o facto de os HLY dependerem em parte da avaliação subjectiva do estado de saúde.

 

Os portugueses sempre foram dos piores a avaliar o seu estado de saúde. De acordo com o último relatório da OCDE “Health at a Glance 2013”, Portugal era o terceiro dos 34 países da organização com o menor número de pessoas que dizia ter boa ou muito boa saúde (cerca de metade dos inquiridos, contra 69% da média da OCDE).

 

Adiámos a morte mas não a doença

 

“Com a longevidade, as mulheres vão adquirindo um conjunto de doenças crónicas, doenças que não matam, mas que moem muito”, destaca igualmente Manuel Villaverde Cabral, director do Instituto do Envelhecimento . “As mulheres queixam-se muito mas a verdade é que nos enterram a todos [aos homens]”, ironiza.

 

“Quanto mais aumenta a longevidade, mais pioram os indicadores de saúde. A longevidade aumenta a fragilidade, a dependência, as doenças crónicas, as demências, as fracturas, os cancros”, enumera a ex-coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Inês Guerreiro. 

 

A especialista acrescenta que a explicação para a discrepância entre países e sexos pode ainda estar relacionada, entre outros factores, com o facto de muitas portuguesas nascidas antes da

 

Segunda Guerra Mundial não terem tido acesso a instrução . Em Portugal, também só há pouco tempo se começou a investir em reabilitação: “Antes, se alguém sofria um AVC ficava anos e anos numa cama”.

 

O epidemiologista Mário Carreira recua no tempo para explicar este fenómeno. “A maior parte dos países europeus começou a melhorar os seus níveis de saúde muito mais cedo” do que Portugal, lembra. “O nível de saúde traduz aquilo que aconteceu às pessoas há 30, 40 ou 50 anos. As mulheres tinham vidas muito duras. Melhorando os cuidados de saúde consegue adiar-se a mortalidade, mas é muito mais difícil adiar a doença. A esperança de vida saudável demora muito mais tempo a melhorar”, sintetiza o médico que pede, mesmo assim, alguma cautela com a análise dos HLY porque a qualidade deste indicador não é muito boa, por depender das metodologias de recolha de informação usadas nos vários países.

 

Os factores económicos também parecem pesar nesta equação. Um estudo divulgado em 2008 pela revista médica The Lancet (e que abrangeu então 25 países da União Europeia) já permitia perceber que viver mais não significa viver melhor e que, quanto maior o produto interno bruto e o investimento nos cuidados da população idosa, mais anos de vida saudável podia esperar uma pessoa.

 

A disparidade era significativa entre os vários países. Feitas as contas, os investigadores concluíam que um acréscimo de apenas um por cento nos cuidados para idosos poderia representar mais um ano de vida saudável.

 

 

Fonte: Público
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/portuguesas-vivem-cada-vez-mais-...
 

Malária e dengue podem voltar à Europa

30/05/2014 - 08:23


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de metade da população mundial corre risco de contrair doenças transmitidas por vectores, causa de 1/3 da mortalidade no globo. Apesar de ocorrerem com maior predominância em áreas tropicais e subtropicais, nos últimos anos assiste-se à sua disseminação para outras áreas geográficas, com a Europa no horizonte

 

A possibilidade de (re)introdução de doenças como a dengue e a malária no espaço europeu foi motivo de análise no encontro da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) sobre doenças transmitidas por vectores. Médicos e outros profissionais da saúde debateram estratégias integradas para o controlo vectorial e a implementação de medidas de saúde pública adequadas.

 

Segundo a OMS mais de metade da população mundial pode estar em risco de contrair doenças transmitidas por vectores, causa de 1/3 da mortalidade mundial. Apesar de ocorrerem habitualmente em áreas tropicais e subtropicais nos últimos anos assiste-se à sua disseminação para outras áreas geográficas. Esta propagação deve-se a vários factores, nomeadamente o aumento das viagens e comércio internacional, a introdução de novas práticas agrícolas, a evolução sócio demográfica da população, as migrações, as alterações climáticas e, actualmente, à crise que a Europa atravessa.


Segundo António Tavares, Delegado Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a crise veio acentuar a pobreza e a criação de novos pobres o que “provoca, por falta de capacidade económica, a privação de certas necessidades básicas como os cuidados de saúde. Esta situação cria uma maior propensão para certas doenças, uma sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde e a uma incapacidade de reposta dos profissionais a todos os grupos mais vulneráveis.” António Tavares, sublinha, no entanto, que “ um maior aprofundamento do que se está a passar, contribui para uma maior cultura de saúde, sobretudo me zonas limite em que a saúde se articula com outras áreas sociais.”

 

Os vectores transmitem a infecção através de picada quando eles próprios são portadores de vírus e parasitas. Os mais comuns são os mosquitos (de várias espécies), mosca da areia e carraças.

 

Apenas uma picada pode transmitir doenças como malária, dengue, chikungunya, febre do Nilo Ocidental, leishmaniose, doença de Lyme, febre amarela, encefalite japonesa, entre outras. De acordo com Maria João Martins, Coordenadora da Unidade de Saúde Pública de Lisboa Central, “muitas doenças são transmitidas por vectores que se não forem devidamente controlados, podem fazer-se levar em transportes internacionais e multiplicar-se, representando um risco para tripulantes, passageiros e propagando doenças noutros países.” Maria João Martins explica ainda que “todos os transportes devem ser mantidos isentos de vectores utilizando, para isso, os métodos e materiais recomendados pela OMS”.

 

A monitorização destas doenças é uma preocupação habitual da Direcção-Geral da Saúde (DGS), de outras instituições do Ministério da Saúde (tais como o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge - INSA) ou de centros de investigação portugueses como o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) ou o Centro de Estudos de Vectores e Doenças Infecciosas Francisco Cambournac (CEVDI).

 

Também o INSA coordena a Rede de Vigilância de Vectores (REVIVE), que, de acordo com Fernanda Santos, do INSA/CEVDI, tem “como principal objectivo melhorar o conhecimento sobre as espécies de vectores presentes no país, vigiar a sua distribuição e actividade sazonal, contribuindo para o esclarecimento do seu papel como agentes de transmissão da doença e detectar atempadamente a introdução de espécies invasoras com importância em saúde pública, assim como emitir alertas para a adequação das medidas de controlo”.

 

No seguimento do surto de febre de dengue que teve início em 3 de Outubro de 2012 na Região Autónoma da Madeira, tornou-se clara a necessidade de garantir o aconselhamento especializado da população e dos profissionais de saúde, aprofundar a transmissão de conhecimentos científicos sobre esta matéria e estabelecer medidas de controlo e prevenção que permitam minimizar o impacto destas doenças na saúde pública. A Dengue é a doença tropical emergente mais importante, infecta entre 50 a 100 milhões de pessoas por ano e a mortalidade ronda os 2,5-5%.


Outra doença que importou salientar foi a de Lyme, a principal doença vectorial do Hemisfério Norte. Segundo, Fernanda Santos, Coordenadora da Unidade de Saúde Pública do Alentejo Litoral, “surgem 85 mil casos/ano, e em Portugal, morreram 44 pessoas, nos últimos seis anos. No que toca à malária, que mata 750 mil pessoas/ano a nível mundial, em Portugal existe o vector e o hospedeiro, mas falta-lhe o parasita.

 

Do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) esteve Laurence Marrama, que alertou para o facto das doenças transmitidas por vectores serem um grupo específico de infecções que apresentam uma (re)emergente ameaça para a Europa e requerem atenção especial. As recentes notificações de casos de transmissão autóctone de dengue e febre chikungunya na Europa mostra a nossa vulnerabilidade a estas doenças em áreas onde o mosquito invasor está presente. É, por isso, necessário reforçar a vigilância de espécies de mosquitos, em áreas de risco de importação e propagação de mosquitos ou de transmissão do vírus. Isto é particularmente importante no contexto das mudanças climáticas que podem permitir um aumento de população de vectores e a amplificação do vírus. As tarefas principais do ECDC são a vigilância epidemiológica, o alerta rápido e a resposta, os pareceres científicos, a assistência técnica aos Estados-Membros e países terceiros, bem como as acções de apoio e de desenvolvimento para a preparação contra novas ameaças sanitárias.

 

Paula Vasconcelos encerrou a sessão com a participação de Portugal nos fora internacional no âmbito destas doenças salientando a participação obrigatória e estratégica, o compromisso no contexto de novas decisões da UE e a cooperação e acções sectoriais.

 

Fonte: comunicado de imprensa 

Portugal é terceiro país da Europa Ocidental com mais raparigas obesas

29/05/2014 - 08:58


Portugal é o terceiro país da Europa Ocidental com maior percentagem de raparigas obesas e com excesso de peso, problema que afecta 27,1% das jovens portuguesas, revela um estudo publicado esta quarta-feira pela revista Lancet, avança a agência Lusa, citada pelo Diário de Notícias.


O estudo conclui que o número mundial de pessoas obesas e com excesso de peso aumentou de 857 milhões em 1980 para 2,1 mil milhões em 2013 e o problema continua a aumentar.

 

Nos últimos 33 anos, escrevem os investigadores, a taxa de adultos obesos e com excesso de peso aumentou 28%, enquanto a das crianças subiu 47%.

 

Na Europa Ocidental, revelam os dados agora publicados, referentes a 2013, a obesidade e o excesso de peso afectam em média 24,2% dos rapazes até aos 20 anos, 22% das raparigas, 61,3% dos homens e 47,6% das mulheres.

 

Quando se considera apenas a obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30 quilos por metro quadrado), as taxas são de 7,2% para os rapazes, 6,4% para as raparigas, 20,5% para os homens e 21% para as mulheres.

 

Em Portugal, todas as taxas estão acima da média regional: o excesso de peso afecta 28,7% dos rapazes, 27,1% das raparigas, 63,8% dos homens e 54,6% das mulheres, enquanto a obesidade atinge 8,9% dos rapazes, 10,6% das raparigas, 20,9% dos homens e 23,4% das mulheres.

 

Estes dados colocam Portugal como o terceiro país da região com mais raparigas com excesso de peso e o terceiro com mais meninas obesas.

 

Portugal é ainda o quarto com mais mulheres com excesso de peso e o sexto com mais rapazes com peso a mais.

 

A nível da Europa Ocidental, a obesidade nos rapazes varia entre 14% em Israel e 4% na Holanda e na Suécia; enquanto nas raparigas varia entre os 13% do Luxemburgo e 4% na Holanda, Noruega e Suécia.

 

 

Fonte: Lusa/Diário de Notícias
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3940316&page=-1

60% dos homens com mais de 50 anos apresentam hiperplasia benigna da próstata

28/05/2014 - 08:17

De acordo com os exames realizados em Portugal nos últimos anos, cerca de 60% dos homens com mais de 50 anos apresentam sinais de hiperplasia benigna da próstata, ou seja, o aumento benigno da próstata, próprio da idade, avança o SAPO Saúde.

 

O Grupo Trofa Saúde organiza no próximo dia 31 de Maio uma conferência no Hospital Privado da Trofa, sob o tema: “A Urologia ao dispor da Medicina Geral e Familiar – Hiperplasia Benigna da Próstata”.

 

A conferência tem início às 09:30 e termina por volta das 13:00, e destina-se a profissionais de saúde, em particular a especialistas de Medicina Geral e Familiar.

 

Vão ser abordadas todas as fases da doença, desde os primeiros sintomas, exames de diagnóstico, possíveis tratamentos e a apresentação de casos clínicos. A sessão é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia, através do e-mail info@hospitaldatrofa.pt ou através do número 252 409 100, indicando o nome, contactos, especialidade e local de trabalho.

 

Os sintomas mais comuns da Hiperplasia Benigna da Próstata são o jacto urinário mais lento, fraco e demorado, não esvaziar completamente a bexiga, urinar mais frequentemente e com urgência ou levantar-se várias vezes por noite para urinar.

 

Esta doença pode ou não necessitar de tratamento, dependendo da intensidade dos sintomas e do modo como perturbam a qualidade de vida dos doentes.

 

 

Fonte: SAPO Saúde
http://saude.sapo.pt/noticias/saude-medicina/60-dos-homens-com-mais-de-5...

Doenças transmitidas por mosquitos são ameaça emergente

26/05/2014 - 11:21


Malária, febre amarela e dengue são doenças capazes de lançar o alarme social de um momento para o outro. Nesse contexto, a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) organiza um encontro, já terça-feira, sobre o impacto de uma doença que pode chegar a metade da população mundial.


“Pequenos Vetores, Grandes Problemas” é o mote para um debate sobre doenças contagiosas organizado pela Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP). O encontro sobre a importância das Doenças Transmitidas por Vetores nos actuais desafios da Saúde Pública realiza-se já na próxima terça-feira feira, dia 27, pelas 10:00, no Hotel D. Pedro, em Lisboa. Presente vai estar Laurence Marrama, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). A especialista em doenças vetoriais emergentes, introduzirá o papel e as acções do ECDC sobre as ameaças representadas pelas doenças transmitidas por mosquitos. O ECDC monitoriza e avalia o risco de doenças emergentes transmitidas por vetores na UE mediante a emissão de avaliações de risco e atualizações epidemiológicas sobre surtos que ocorrem na Europa. ECDC fornece uma vigilância regular e comunicação de doenças transmitidas por vetores para apoiar os países na implementação das medidas políticas necessárias a nível nacional.

 

Fonte: comunicado de imprensa

Doenças circulatórias foram principal causa de morte em Portugal em 2012

23/05/2014 - 14:10

As doenças circulatórias foram a principal causa de morte em 2012 e, juntamente com o cancro, foram responsáveis por mais de metade dos óbitos ocorridos em Portugal nesse ano, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta sexta-feira, avança a agência Lusa, citada pelo jornal i.

 

Quase 33 mil pessoas morreram nesse ano em Portugal devido a doenças do aparelho respiratório (AVC, doença isquémica do coração ou enfarte agudo do miocárdio), que representam 30,4 por cento das mortes por doença ocorridas no país e uma taxa de mortalidade de 312 mortes por 100 mil habitantes.

 

Portugal registou 107.969 mortes em 2012 (103.203 morte em 2011), 96,3 por cento das quais por doença e 3,7 por cento devido a lesões externas e envenenamento.

 

As doenças cerebrovasculares (AVC) destacam-se entre as doenças do aparelho circulatório, tendo sido responsáveis por 12,5 por cento do total de mortes no país, com uma taxa de mais de 128 mortes por cada 100 mil habitantes, seguidas pelas doenças do coração (6,5 por cento) que foram a causa de mais de 66 mortes por 100 mil habitantes e pelo enfarte do miocárdio (4,3 por cento).

 

A morte por AVC atingiu principalmente as mulheres com uma relação de 76 óbitos masculinos por 100 femininos, enquanto a morte por doença isquémica do coração incidiu maioritariamente nos homens(111 óbitos masculinos por 100 femininos).

 

Os tumores malignos estiveram na origem de quase um quarto das mortes, tendo morrido em 2012 quase 26 mil pessoas devido a esta doença, representando 23,9 por cento do total de morte por doença.

 

 

Fonte: Lusa/i
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/doencas-circulatorias-foram-princ...

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