Cada vez mais mulheres com cancro desejam vir a ser mães

13/04/2012 - 06:53

Cada vez mais mulheres com cancro desejam vir a ser mães, o que coloca “grandes desafios” aos médicos, que têm de equacionar um tratamento que não ponha em causa a fertilidade, disse esta quinta-feira um especialista, avança a agência Lusa.

 

“Nota-se que há cada vez mais mulheres com cancro com vontade de ainda vir a engravidar”, declarou à Lusa Daniel Pereira da Silva, director do Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, realçando o papel de casos verificados com figuras mediáticas.

 

Moderador de uma mesa sobre a “contracepção em doentes oncológicos”, durante o primeiro encontro do Ciclo de Conferências sobre Contracepção da Sociedade Portuguesa de Contracepção (SPC), que decorre sábado em Coimbra, Daniel Pereira da Silva sublinha o facto de hoje, “por força da sua vida profissional, a mulher deixar o projecto de ser mãe para mais tarde”.

 

Segundo o especialista, que integra a organização do encontro, o “aumento da incidência do cancro da mama em mulheres jovens, resultante do diagnóstico precoce (que, em conjunto com a melhoria dos tratamentos, tem permitido baixar a taxa de mortalidade), coloca um novo tipo de problemas”.

 

“A quimioterapia, cada vez mais usada para um leque de tumores, dependendo das substâncias, pode comprometer definitivamente o potencial de fertilidade da mulher”, explicou, considerando estar em causa uma “questão nova e muito pertinente” para os especialistas.

 

Daniel Pereira da Silva sustenta que há tratamentos hormonais que podem prejudicar o combate ao cancro e mesmo a contracepção hormonal “pode ser usada num certo tipo de tumores mas noutros, como o da mama, já não”.

 

“A interacção da pílula com os tratamentos tem de ser equacionada, e encontrar o melhor tratamento que permita preservar o ovário é também um desafio”, disse, acrescentando que “há técnicas, como a preservação do tecido ovário para ser reimplantado (após os tratamentos), mas ainda não devidamente aferidas”.

 

A mulher com carcinoma que está grávida e não quer prosseguir com a gravidez é um dos temas a discutir pelos especialistas, numa mesa sobre as “dificuldades na orientação para a interrupção médica de gravidez”.

 

O cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o da pele) é o da mama, sendo detectados por ano em Portugal cerca de 4500 novos casos, lê-se no sítio da Liga Portuguesa Contra o Cancro, na internet.

 

“Quer os implantes mamários quer as cirurgias de redução mamária não aumentam o risco de a mulher contrair cancro, desde que sejam respeitados determinados preceitos”, garantiu o especialista do IPO de Coimbra, onde, disse, já surgiram “alguns casos de mulheres que procuraram cirurgias estéticas e depois apareceram com cancro da mama”.
 

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