O ministro da Saúde defendeu esta sexta-feira a necessidade de um “fortíssimo incremento” nos programas de vigilância epidemiológica e exigiu aos hospitais e aos centros de saúde que dêem “todo o apoio necessário” às comissões de controlo de infecção, avança a agência Lusa.
Paulo Macedo, que falava nas VIII Jornadas de Actualização em Doenças Infecciosas do Hospital de Curry Cabral, afirmou que para combater estas doenças, considerando-as um problema de saúde pública, defendeu a criação de um sistema de alerta para a detecção precoce de surtos.
“Os sistemas de alerta justificam-se também para detectar situações não previstas e para as quais pode ainda não haver conhecimento”, salientou.
Em relação às infecções hospitalares, afirmou que há pontos que podem e vão ser melhorados, lembrando um relatório da Inspecção-geral das Actividades em Saúde sobre a implementação do programa nacional de prevenção e controlo de infecção nas unidades de saúde com internamento que ”deixa bem claro algumas das questões que condicionam e prejudicam o combate à infecção”.
“Como ministro não posso deixar de exigir a todos os conselhos de administração dos hospitais e às direcções dos Agrupamentos de Centros de Saúde que dêem todo o apoio necessário e estabelecido legalmente às comissões de controlo de infecções”, acrescentou.
Para Paulo Macedo, é essencial “um fortíssimo incremento nos programas de vigilância epidemiológica, considerando que esta vigilância é universalmente aceite como pedra basilar de qualquer programa de controlo de infecção que se pretenda implementar.
Sublinhou ainda que a existência generalizada e disseminada de boas práticas não se pode limitar aos manuais, mas à sua ampla implementação.
“Bem sei que um antecessor meu neste cargo foi amplamente criticado por ter exortado os profissionais de saúde e os demais a lavarem as mãos, eu vou mais longe e, seguindo as recomendações internacionais, peço a todos profissionais que não desistam de educar todos os cidadãos nesta matéria”.
“Desejo que passado o surto de alarme social que a gripe de há dois anos nos criou, a epidemia de boa higiene possa tornar-se numa pandemia de limpeza e asseio pessoal de instalações e material”, acrescentou.
Para o ministro, a articulação entre comissões de controlo de infecção em diferentes níveis de cuidado e, entre estas, os programas regionais de controlo de infecção das ARS, é outra necessidade premente.
As próprias administrações regionais de saúde deverão fazer um maior esforço no sentido de operacionalizarem as suas estruturas, dinamizando-as e melhorando os seu canais de comunicação, defendeu.
Um estudo realizado em 28 países europeus, divulgado em Setembro pela Direcção-Geral da Saúde, detectou uma taxa de 11 por cento de infecções em doentes internados em hospitais portugueses, muita acima da média total (2,6%).
Paulo Macedo alertou ainda para os riscos da má utilização dos antibióticos: “Não podemos ter um sistema de verdadeira venda livre de antibióticos em farmácias quando a exigência da receita médica é um mecanismo de rigor e segurança”.
“Não podemos ter doentes que tratam gripes com anti-bacterianos porque temos médicos que os prescrevem”, comentou, defendendo que a aposta na formação e informação dos profissionais e utentes é uma prioridade que deve ser mantida.








