Greve geral: revolta e desmotivação na origem da adesão

22/03/2012 - 09:35


A “desmotivação” e “revolta” dos profissionais de saúde devem traduzir-se numa forte adesão à greve geral de quinta-feira, nomeadamente na actividade programada, mas alguns vão trabalhar por medo ou por não poderem prescindir de um dia de salário, avança a agência Lusa.


Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), disse à Lusa que nos contactos que tem mantido com os profissionais identificou uma “grande revolta” e “desmotivação”.


Por causa desta “revolta” e “desmotivação”, são muitos os profissionais que concordam com os motivos da greve, embora existam outras causas que poderão diminuir a adesão.


O medo de represálias e também a situação financeira, que impede alguns profissionais de prescindirem de um dia de salário, deverão condicionar os níveis de adesão ao protesto, segundo Guadalupe Simões.


No apelo do SEP à greve geral, lê que “o aumento de impostos, dos bens essenciais, do desemprego, da precariedade, a introdução de novos impostos, os despedimentos, a diminuição do rendimento do trabalho, das pensões coloca milhares de portugueses abaixo do limiar de pobreza”.


Para Guadalupe Simões, “os enfermeiros estão de acordo e acham que a greve está a ser feita na altura certa”.


Contudo, adiantou, “a situação económica é tão má que não nos permite dizer que os níveis de adesão venha a ser um sucesso”.


A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) também participa neste protesto e a sua dirigente Pilar Vicente, disse à Lusa que as consequências previsíveis serão o adiamento da actividade programada, nomeadamente cirurgias e consultas.


Pilar Vicente acredita que o impacto da greve será maior nos grandes hospitais.


Dos contactos “informais” com os médicos, Pilar Vicente encontra uma grande sintonia com os princípios da greve. Mas, como ressalva, são “intenções e não compromissos”.


A adesão da FNAM visa “combater o desemprego, a precariedade, a degradação salarial e as desigualdades sociais, defender os serviços públicos e as suas insubstituíveis funções sociais, as carreiras médicas e a contratação colectiva e o estado social e o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
 

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