Sobrinho Simões aconselha Governo a cortar "o menos possível" na Saúde

22/02/2013 - 09:23


O investigador Manuel Sobrinho Simões aconselhou esta quinta-feira o Governo a cortar “o menos possível” na Saúde e desafiou-o a estimular a eficiência e a qualidade no sector, “premiando quem faz bem e punindo quem faz mal”, avança a agência Lusa.


Em declarações à Lusa, à margem de uma conferência na Escola Básica Integrada de Fragoso, em Barcelos, Sobrinho Simões manifestou-se “muito preocupado” com as consequências na Saúde do anunciado corte de quatro mil milhões de euros nas funções sociais do Estado.


Para Sobrinho Simões, os cortes poderão ter “consequências graves”, como “mais pessoas com infecções, mais pneumonias, mais tuberculoses, doenças dos velhinhos que não são bem tratadas”.


“O meu recado é que se corte o menos possível na área da Saúde, porque nós temos índices realmente muito bons para o que gastamos. O que eu diria era que em vez de haver cortes se estimulasse a eficiência e a qualidade”, referiu, defendendo que aqueles estímulos iriam fazer “diminuir os custos”.


O também director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) disse mesmo que o Governo “se calhar, devia aproveitar esta oportunidade para aumentar um bocadinho o investimento em saúde, desde que dirigido para a prevenção, qualidade e eficiência”, mas “sempre com mecanismos de avaliação, com recompensa e com castigo”.


“Falta premiar quem faz bem e punir quem faz mal. Não fica caro, tem é de haver coragem política”, acentuou.


Sobrinho Simões referiu-se à Saúde como sendo “de longe, a pérola” do sistema político português, sublinhando ter “um orgulho brutal” no que o país conseguiu fazer naquela área.


“A Saúde é das coisas mais importantes do ponto de vista da igualdade social, do equilíbrio de uma sociedade, da justiça. Acho indecente que as pessoas, porque não têm dinheiro, não tenham as mesmas possibilidades [de acesso aos cuidados de Saúde”, disse ainda.

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