Farmácias reduzem stock em 30% por falta de dinheiro

15/02/2012 - 13:19


As farmácias estão a cortar 30% do valor do stock que tinham disponível para responder às necessidades dos utentes. A falta de dinheiro para ter muitas embalagens de várias marcas na gaveta, a redução do preço e das margens de lucro, bem como as dificuldades em aceder a alguns dos fármacos mais caros por estarem esgotados no mercado nacional explicam o facto de muitos doentes não conseguirem levar para casa de uma só vez todos os medicamentos prescritos pelos médicos nas receitas, avança o Diário de Notícias.

 

“É um problema de tesouraria. Falta dinheiro para terem o mesmo tipo de oferta que tiveram antigamente. No ano passado, houve uma redução de 12% do valor de mercado, o que originou uma diminuição da rentabilidade, devido à descida do preço dos medicamentos. Para este ano, está prevista uma continuidade na descida, próxima dos 10%”, explicou ao DN Paulo Duarte, secretário-geral da Associação Nacional das Farmácias (ANF).

 

Os medicamentos mais caros e com menos saída, por um lado, e os genéricos mais baratos e com maior número de marcas disponíveis são os mais afectados por este novo tipo de gestão que as farmácias se viram forçadas a fazer. “Há casos de genéricos que baixaram dez vezes de preço num ano. As farmácias não conseguem cumprir as necessidades correntes, quanto mais investir em produtos caros e com pouca saída”, sublinhou, referindo que aceder ao crédito é cada vez mais difícil, até porque os juros e os spreads podem chegar aos 10%.

O problema já se reflecte nos fornecedores, que já estão a diminuir o número de entregas feitas por dia. “Deve ser rara a farmácia que não tenha feito uma redução entre os 30 e os 40% do investimento feito na compra de stock. Uma farmácia que tivesse uma facturação mensal de 100 mil euros, há dois ou três anos tinha um stock de 150 a 200 mil euros. Agora, não têm mais de 70 mil euros”, disse ao DN Pedro Pires, da distribuidora Udifar.

 

“Com a perversão das margens, a crise geral, as farmácias passam dificuldades. O valor do dinheiro está mais caro e o stock é dinheiro. A distribuição é um espelho do que se passa nas farmácias. Se não perdem, também reduzimos o stock e, por outro lado, os custos com o combustível também aumentaram muito. Estamos a disciplinar as farmácias para duas entregas por dia”, explicou ao jornal.

 

Isaura Martinho, dona da Farmácia Marvilla, em Chelas, admite que é difícil responder a tantas mudanças no sector. “Há vários medicamentos que não estão a ser entregues na quantidade necessária e não sabemos o porquê. Por outro lado, fizemos uma redução de algumas moléculas. Tudo o que não sai há mais de três meses não voltamos a comprar. Quando o doente precisa, vamos buscar. Temos o stock reduzido em cerca de 20%. Esta situação é um incómodo para nós e para o doente, mas é o que está a acontecer”, explicou ao DN a farmacêutica.

 

“Deixou de haver um stock de segurança. Mesmo que as pessoas queiram aviar a receita toda ao mesmo tempo, é praticamente impossível”, acrescentou Hipólito Aguiar, membro da Ordem dos Farmacêuticos, referindo que também são feitos cortes nos produtos cosméticos e de higiene que têm menos saída.
 

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