PCP acusa Governo de ser responsável pela morte antecipada de idosos

08/03/2012 - 08:19


O PCP acusou esta quarta-feira o Governo de ser responsável pela “morte antecipada de muitos portugueses”, em especial idosos, por causa dos cortes na Saúde, o que o primeiro-ministro disse “repudiar inteiramente”, negando-se a entrar num “jogo político”, avança a agência Lusa.


“Quero aqui fazer uma afirmação que é simultaneamente uma acusação. Aquilo que se está a fazer no plano da saúde, particularmente aos mais idosos, negando-lhes a possibilidade de transporte, negando-lhes a possibilidade de uma consulta atempada, de uma exame atempado, responsabiliza este Governo pela morte antecipada de muitos portugueses, particularmente de idosos”, disse o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, durante o debate quinzenal do Governo com os deputados.


Na resposta, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho disse “repudiar inteiramente a afirmação” de Jerónimo de Sousa.


“É a primeira vez que lhe oiço uma afirmação desta natureza. E se a repetir, deixo aqui desde já de antemão um firme repúdio por esse tipo de jogo político. É um jogo político que eu não faço”, acrescentou.


O primeiro-ministro garantiu ainda que “toda a área social tem sido orientada justamente para proteger aqueles que têm menos recursos e estão mais desamparados”, destacando o novo regime de taxas moderadoras, a actualização dos passes sociais para os transportes ou novas regras que serão adoptadas para a atribuição do Rendimento Social de Inserção.


“Em todas as matérias sociais, se tem havido pedra de toque, é justamente garantir que aqueles que estão mais vulneráveis e têm menos recursos possam ter da parte do Estado a prestação social que lhe é devida”, insistiu, acrescentando que, porém, a globalidade das prestações sociais terá de diminuir para se cumprirem as metas de consolidação orçamental.
“Não há crescimento em Portugal sem sucesso nessa consolidação”, sublinhou.


Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa tinha considerado como “balanço estranho” a terceira avaliação feita pela ‘troika’ da ajuda externa ao programa de ajustamento financeiro português, porque “não encaixa com a realidade do país”, dados os números recentes da recessão ou do desemprego.


O secretário-geral do PCP condenou ainda as “reduções dos apoios sociais” que “está a empurrar para a pobreza milhares de portugueses porque não fazem tratamentos médicos, porque passam fome, porque outros abandonam o ensino por falta de meios das famílias”.


Jerónimo de Sousa pediu ainda a Passos Coelho para “retroceder neste caminho” e desafiou o primeiro-ministro a visitar algumas zonas do país especialmente afectadas pela crise, para assim “talvez” despertar “para a realidade que continua a negar nestes debates”.
Passos Colho disse não negar as medidas que tem tomado, o desemprego ou que os portugueses não estejam a passar por grandes sacrifícios, garantindo que é por conhecer a realidade que a quer alterar.
O chefe do Executivo garantiu ainda que fala muitas vezes com os portugueses, “como aliás tem sido patente”, e não ter “dificuldade” em ouvi-los, nem em “dar a cara” pelas decisões que toma, ou em “explicar a situação que se vive”.
“É por isso que independentemente de os portugueses concordarem comigo ou não, me respeitam, como eu respeito os portugueses”, acrescentou.

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