Governos distritais em Moçambique estão a forçar médicos a trabalharem em dia de greve

08/01/2013 - 09:07


Médicos moçambicanos afectos a unidades sanitárias distritais "estão a ser ameaçados e levados à força" para os postos de trabalho pelos governos locais, denunciou esta segunda-feira à agência Lusa o presidente da Associação Médica de Moçambique, Jorge Arroz.


"Tivemos uma adesão de 90 por cento a nível nacional e os médicos escalados para as urgências fizeram-se ao trabalho", disse Jorge Arroz, assinalando que "os médicos moçambicanos nos distritos estão a ser ameaçados e levados à força" aos postos de trabalho.

 

"Que se retirem as ameaças", apelou Jorge Arroz, quando falava à Lusa sobre o balanço do primeiro dia da greve dos médicos moçambicanos que teve inicio esta segunda-feira, para exigir aumento salarial e melhores condições de trabalho.

 

O presidente da associação de médicos denunciou ainda que também em Maputo e na Beira, "médicos estagiários estão a ser chantageados: alguns professores ameaçam chumbá-los caso não trabalhem".

 

Na maior parte das enfermarias do Hospital Central de Maputo os serviços mínimos estão a ser assegurados por alguns chefes de departamentos e médicos estrangeiros, sobretudo de origem cubana e chinesa.

 

De acordo com Jorge Arroz, a quase totalidade dos médicos generalistas moçambicanos, incluindo estagiários, aderiram à greve e não compareceram no hospital.

 

As autoridades sanitárias moçambicanas convocaram médicos militares e aposentados para trabalharem no Hospital Central de Maputo, a maior unidade sanitária de Moçambique, para suprir a falta de pessoal médico que aderiu à greve.

 

Segundo Jorge Arroz, as negociações entre a Associação Médica e o governo moçambicano vão recomeçar na terça-feira para clarificar o "único ponto" que ficou pendente: a questão salarial.

 

"Aceitamos que poderíamos conversar amanhã (terça feira) com o governo. Há uma abertura de ambas as partes. Esperamos que possamos clarificar o único ponto que nos prende: o salário", disse.

 

O ministro moçambicano da Saúde disse esta segunda-feira a jornalistas que a tabela salarial dos médicos será revista "com certeza, mas não é só dos médicos" e que "o governo está a estudar formas de melhorar o quadro salarial dos trabalhadores da saúde na sua generalidade".

 

Reagindo, Jorge Arroz disse que "o sentimento generalizado dos médicos é de não confiança no Ministério da Saúde".
 

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