Portugal deve mais de 2,3 milhões às autoridades da Estremadura espanhola

03/01/2012 - 14:06

Portugal deve mais de 2,3 milhões de euros às autoridades da Estremadura espanhola por atrasos no pagamento da assistência às grávidas do Alentejo no Hospital de Badajoz, nos últimos anos, segundo revelou o governo estremenho, citado pela agência Lusa.

 

As dívidas foram divulgadas pela vice-presidente e porta-voz da Junta da Estremadura, Cristina Teniente, que frisou que o montante é relativo a 2008, 2009 e 2010.

 

“Não foi recebido o pagamento de qualquer montante em divida nem no ano de 2008, nem em 2009”, tendo apenas sido liquidado um montante “praticamente simbólico em 2010”, pelo que, “até ao dia de hoje, a dívida é de 2,33 milhões de euros”, disse.

 

Cristina Teniente aludiu a estes dados numa conferência de imprensa em Mérida (Espanha), na sexta-feira passada, após uma reunião do governo regional.

 

Contactada hoje pela Agência Lusa, a Junta da Extremadura disponibilizou as declarações proferidas pela responsável na mesma conferência de imprensa.

 

Os atrasos de Portugal no pagamento dos montantes relativos à assistência às grávidas de Elvas e Campo Maior no Hospital Materno-Infantil de Badajoz foram um dos assuntos analisados fora da ordem de trabalhos, referiu a vice-presidente.

 

No encontro, adiantou, ficou acordado que o governo regional vai “dar os passos necessários, através de reuniões bilaterais”, para resolver este “problema”.

 

Questionada por jornalistas, Cristina Teniente esclareceu que, apesar das dívidas, o serviço de assistência às grávidas alentejanas não será suspenso.

 

“Não se paralisa, em absoluto, o serviço que se presta. O que se passa é que se arrasta uma situação económica complicada, porque já são três exercícios sem liquidação dos montantes [em dívida]”, afirmou.

 

O que interessa agora, acrescentou, é regularizar “a situação financeira” decorrente do “atraso nos pagamentos”, no âmbito de “um protocolo que não se está a cumprir”.

 

A Lusa contactou hoje a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS), que remeteu eventuais esclarecimentos para a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), em Portalegre.

 

Por sua vez, a ULSNA, em declarações à Lusa, remeteu para mais tarde uma reacção sobre esta matéria.

 

Desde 2006 e até Novembro de 2011, altura em que a Lusa efectuou o último balanço junto das autoridades da Estremadura espanhola, tinham nascido cerca de 1 300 bebés portugueses no Hospital Materno-Infantil de Badajoz.

 

Estes nascimentos enquadram-se no convénio celebrado em 2006 entre as autoridades portuguesas e da região da Estremadura, que está em vigor.

 

O acordo serviu para colmatar o fecho da sala de partos do Hospital de Elvas, em Junho de 2006, permitindo às grávidas daquele concelho e do município vizinho de Campo Maior optarem entre o hospital de Badajoz ou os hospitais de Portalegre e Évora.
 

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