O presidente do Infarmed afirmou esta quinta-feira que o medicamento tafamidis não tem efeito em cerca de 80 por cento dos doentes com paramiloidose e nos restantes atrasa apenas em dezoito meses o processo para transplante hepático, avança a agência Lusa.
Jorge Torgal falava à agência Lusa a propósito da petição pública e de vários projectos de resolução da oposição e do CDS-PP, que vão ser debatidos na sexta-feira no Parlamento, a recomendar a inclusão deste medicamento no Serviço Nacional de Saúde.
“Os estudos que temos mostram que em 78% dos doentes o medicamento não tem efeito e vão ter de fazer o transplante hepático. Os outros 22% vão ter o seu processo para transplante atrasado 18 meses”, explicou o presidente da autoridade nacional do medicamento.
Jorge Torgal afirmou que, “lamentavelmente”, os resultados apresentados pelo laboratório, que permitiram que o medicamento fosse autorizado pela Agência Europeia do Medicamento e pela Comissão Europeia em 2011, “são muito pouco efectivos e levam a que a esperança dos doentes não seja fundamentada”.
O Infarmed solicitou a um avaliador médico que analisasse as qualidades terapêuticas do medicamento, ao laboratório que mostrasse as vantagens económicas em relação ao transplante, a única alternativa de tratamento, e a um economista externo que fizesse a avaliação do valor económico do medicamento.
“Nós temos os primeiros resultados dos relatórios, que ainda não são conclusivos, mas para apressar o processo os avaliadores reuniram-se para conjuntamente apresentarem várias questões ao laboratório farmacêutico”, contou.
Para Jorge Torgal, esta situação é problemática e “até dramática, porque a generalidade dos doentes está convicta que este medicamento pode ter um forte impacto na evolução da sua doença”.
“Infelizmente, o que laboratório nos dá sobre os ensaios clínicos do medicamento não indica isso e, portanto, vamos ter uma batalha entre aquilo que são resultados dos estudos que o laboratório fornece e aquilo que é a convicção das pessoas”, comentou.
Por outro lado, sublinhou, “o laboratório baseou-se na grande pressão social que há sobre o medicamente para pedir um preço completamente exorbitante: 135 mil euros por ano para tratamento do doente”.
“Nós temos o transplante hepático que custa 120 mil euros e dá a 71% dos doentes uma vida sem problemas durante 10 anos e temos um medicamento que custa mais do que isso por ano e dá 18 meses de não progressão da doença em 22% dos doentes”, justificou.
“Como a maioria dos doentes está em Portugal, o laboratório joga tudo na introdução do medicamento em Portugal”, comentou, adiantando que nos países onde foi introduzido não foi discutido o preço porque o número de doentes é muito reduzido.
“Se os doentes do Hospital de Santo António (Porto) iniciassem a terapêutica ao preço que o laboratório propôs, isso agravaria em 100 milhões de euros o deficit do hospital”, elucidou.
A paramiloidose, vulgarmente conhecida como a “doença dos pezinhos”, é uma doença neurodegenerativa, progressiva e hereditária, que se manifesta entre os 25 e 35 anos.








