Antifúngico mostra-se eficaz no tratamento da epilepsia

14/03/2012 - 09:27


Um medicamento comummente usado no tratamento de candidíases e micoses em humanos revelou-se promissor contra a epilepsia em ratos. Segundo uma investigação brasileira publicada no jornal Epilepsy & Behavior, o antifúngico clotrimazol conseguiu proteger as células nervosas do cérebro (evitando a sua morte), após uma crise em cobaias com a doença crónica, avança a revista VEJA.


O estudo, conduzido pelo neurofisiologista Fulvio Alexandre Scorza, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil, usou oito ratos induzidos a terem crises epilépticas duradouras, as que não são interrompidas com medicamentos. Metade dos animais recebeu tratamento contínuo de clotrimazol. Após 60 dias, os ratos que foram tratados com antifúngico tiveram menor perda de células nervosas, quando comparados aos que receberam somente solução fisiológica.


Quando uma pessoa tem uma crise epiléptica prolongada, há um aumento na descarga eléctrica nas células do cérebro. Nesse momento, reacções químicas fazem com que haja uma maior entrada de cálcio nas células. O acúmulo do cálcio acaba por levar o neurónio à morte. Na pesquisa de Scorza, essa morte celular pode ser evitada com o uso do clotrimazol. “A droga bloqueou a entrada do cálcio na célula, situação padrão durante uma crise”, diz.


Para ser inserido no tratamento da epilepsia, o medicamento precisa ainda de terminar os testes em animais e seguir para uma etapa bem mais complexa em humanos. “É necessário que se faça mais estudos, mas a proposta do clotrimazol é muito interessante”, diz Scorza. A ideia é que esses medicamentos consigam amenizar as crises nos 30% de pacientes que não respondem bem ao tratamento com os remédios já disponíveis no mercado. “A nossa preocupação são os pacientes refractários, que ainda não conseguem controlar as crises”, conclui o cientista.
 

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