Genéricos: empresários procuram mercados emergentes para sair da crise

22/02/2012 - 10:20


Ano após ano, o peso dos mercados externos representa uma fatia cada vez mais significativa na facturação das empresas da indústria de genéricos. E por duas ordens de razões. A primeira prende-se com a dimensão do mercado nacional, que não é muito grande, e a segunda reside na antecipação que os empresários fizeram da actual situação económica da Europa, concretamente de Portugal com um cenário económico grave e com a ‘troika’ a impor medidas de forte contenção ao sector da Saúde, escreve o Diário Económico.

 

“A empresa, quando desenhou o seu plano de negócios há 12 anos, antecipou a actual crise que Portugal vive”, salientou Paulo Barradas, presidente da Bluepharma, em declarações ao DE. Razão pela qual as exportações totais da empresa atingiram já uma percentagem de 73% do volume de negócios, no ano passado.

 

António Donato, administrador do grupo Tecnimede, grupo com duas empresas de genéricos, a Farmoz e a Pentafarma também enfatiza a importância dos mercados externos. “Neste momento, as exportações já representam 36% das vendas líquidas da empresa, e destacam-se como a área de maior crescimento (cerca de 43%)”, afirma o responsável ao DE.

 

E os mercados emergentes são um dos principais alvos de atenção por parte dos empresários portugueses, como os países da América Latina e Angola, entre outros. É consensual que os mercados emergentes, como Brasil, China e Índia estão a crescer a ritmos muito significativos graças ao aumento da procura interna e ampliação de sistemas nacionais de saúde.

 

A multinacional, Novartis é um bom exemplo disso mesmo. “A expansão para mercados emergentes como a China, o Brasil, a Rússia e a Índia são fundamentais para a nossa estratégia de crescimento e 2011 foi um ano marcante: na China comprámos a maior companhia local de vacinas, na Rússia iniciámos a construção de uma fábrica e no Brasil começámos a planear a construção de uma fábrica de vacinas”, salienta Luís Rocha, director de relações externas da empresa, ao DE.

 

Mas existem outros mercados, mais pequenos, que as empresas portuguesas estão apostadas em conquistar, tendo em atenção as grandes multinacionais do sector, como Venezuela, países do Magreb e países de língua portuguesa, como Angola e Moçambique. “Estamos em Marrocos desde os anos 90, onde iniciámos a construção de uma fábrica, que nos permite consolidar a presença no Magreb”, afirma António Donato ao DE, administrador do grupo Tecnimede. Hoje, a empresa vende em mais de 40 países e está a fazer registos em 20 a 30 novos mercados.

 

Aliás, o mesmo responsável avança ao DE que espera “nos próximos dois anos, exportar para 70 a 80 países estando a concentrar os nossos esforços no aumento da presença do grupo nos países do Médio Oriente,América Latina e Estados Unidos da América”.

 

Também Pedro Castro, ‘market manager’ da WYNN Industrial Pharma, quando questionado sobre os mercados prioritários para a internacionalização da empresa, não esconde a aposta nos mercados do Médio Oriente e africano”. Aliás, sobre este último destaca o seu crescente peso na facturação da empresa. E o que dizer do mercado venezuelano onde um grupo de empresas se uniu para exportar”, concretamente a Bluepharma, AtralCipan, Sofarimex, Bial e Tecnimede. “A Venezuela é um dos mercados mais promissores nos próximos cinco anos”, confessa Paulo Barradas, presidente da Bluepharma.

 

Paulo Lilaia, CEO da Generis, também salienta a aposta da empresa no crescimento da exportação, mas “não só para os países de língua portuguesa, com quem temos afinidades naturais, mas também para países da União Europeia e do Médio Oriente”.
 

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