Empresas portuguesas de genéricos investem milhões em investigação

22/02/2012 - 09:41

É indiscutível que um dos sectores económicos que mais aposta na Investigação e Desenvolvimento (I&D) é o da indústria farmacêutica. E as empresas portuguesas de genéricos estão a liderar esses investimentos, a avaliar pelos recursos humanos e montantes envolvidos com reflexo no crescente número de patentes solicitadas ao European Patent Office, avança o Diário Económico.

 

Apostas fortes, pois o que está em causa é a competitividade que é feita à escala global.

 

Paulo Lilaia, presidente da APOGEN afirma ao DE, que “esta é uma vertente onde os portugueses se têm destacado pelo seu ‘know-how’ e que merece ser reconhecida a bem do próprio País”.

Apesar de ainda não existirem números oficiais relativamente a este tipo de investimento realizado no ano passado, o DE falou com cinco empresas. E uma coisa é certa: os investimentos feitos pela indústria estão a contribuir para fábricas modernas e formar colaboradores qualificados, retendo talentos e desta forma gerando riqueza para o País, como salientaram todos os responsáveis.

 

“A aposta em I&D é um dos pilares do grupo”, salienta ao DE António Donato, administrador da Tecnimede. E o mesmo responsável concretiza com números. “Anualmente, o grupo investe entre 12% a 18% da sua facturação em I&D. E este é sem dúvida um caminho que continuaremos a seguir”. Recorde-se que o grupo possui um laboratório em Portugal (Labor Qualitas), equipado com tecnologia de última geração, onde trabalha uma equipa multidisciplinar com cerca de 60 técnicos altamente especializados.

 

Pedro Castro, ‘marketmanager’ da WYNN Industrial Pharma, enfatiza também o esforço da empresa em investir em I&D avançando mesmo o montante previsto para este ano, que será superior a 3,1 milhões de euros. “Apostamos em I&D na justa medida das necessidades de contínuo reforço do portefólio” salienta, em declarações ao DE.

 

Bluepharma certificada nos EUA

 

A Bluepharma, uma empresa farmacêutica de capitais portugueses e com sede em Coimbra, é a única empresa portuguesa certificada pela Food and Drug Administration (FDA). Uma aposta da empresa para crescer no mercado norte-americano e que resultou de muito investimento em I&D, como explicou recentemente Paulo Barradas, presidente da empresa, ao DE. O empresário afirma que dos “180 colaboradores que a empresa tem, cerca de 35 estão alocados à área de I&D”.

 

Já Luís Rocha, director de relações externas da Novartis, descreve a empresa como sendo uma empresa inovadora e não deixa de dar exemplos para sustentar a sua afirmação. “Só na área de Pharma (medicamentos de prescrição médica), em 2011, a Novartis recebeu 15 aprovações de medicamentos nos EUA, UE e Japão”. E reforça a ideia, avançando que a empresa é a “companhia com o ‘pipeline’ mais respeitado da indústria, com mais de 130 projectos em desenvolvimento clínico (novas moléculas, novas indicações ou formulações diferentes), em áreas como a oncologia, vacinas e biosimilares. Em 2011, 15,8% das nossas vendas líquidas foram investidas em I&D, em 2012 esperamos manter essa aposta”.

 

Sem quantificar, Paulo Lilaia, CEO da Generis, quando questionado quanto ao investimento em I&D, salienta que “em2011 e 2012 o investimento nestas áreas é de vários milhões de euros”.

E sobre esta temática não deixa de fazer um reparo ao Governo. “É necessário que Governo crie políticas que incentivem a produção nacional”, pois o que está em causa é uma “diminuição das importações” de medicamentos.

 

Aliás, o mesmo responsável, mas na qualidade de presidente da APOGEN, salienta que várias empresas deste sector investem uma boa parte do seu volume de negócios em I&D, no que respeita a novos genéricos, aperfeiçoamento de fórmulas, métodos de produção, sistemas de distribuição, métodos de adesão à terapêutica pelo doente, entre outros exemplos”.
 

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