O receio de facilitarem o tráfico de droga inibe muitos países de fomentar o uso de opióides para o tratamento da dor e de substâncias psicotrópicas destinadas a tratar doenças neurológicas e mentais. A constatação é feita num documento anexo ao relatório anual sobre tráfico de drogas, da Organização Internacional para o Controlo de Narcóticos, avança o Jornal de Notícias.
Mais de 80% da população mundial não tem acesso a analgésicos formulados a partir de opióides, cuja função é trata dores de grande intensidade, como em muitos casos de cancro. Esta situação deve-se em parte aos receios das autoridades de muitos países quanto ao controlo de substâncias que, além de indispensáveis à prática médica, são também alvo de tráfico ilícito. Haverá também relutância por parte de médicos em prescrevê-las e de hospitais em tê-las à sua guarda.
A precaução é também justificada pela tendência para o abuso. O documento divulgado esta quarta-feira refere que, em alguns países, o consumo excessivo de analgésicos excedeu o das drogas ilegais.
No caso da morfina, usada para controlar a dor, os EUA são o maior consumidor mundial, gastando 56% do fármaco produzido. A Europa consume 28%, mas tem o dobro de pessoas (11%), a usar morfina face aos EUA. Certo é que 90% das drogas ilícitas para uso médico são consumidas por 10% da população mundial vivendo nos países mais desenvolvidos. No que toca a ansiolíticos, sedativos e outros fármacos psicotrópicos, a Europa destaca-se como grande consumidora, com cerca de 40% do total mundial.
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