Preço dos medicamentos fora das farmácias sobe acima da inflação

03/03/2011 - 11:39

 
O preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias registou, nos últimos dois anos, um crescimento superior à média da saúde, avança o Jornal de Negócios. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o sub-índice de preços deste sector caiu 1,4% em 2009, e 1,42% em 2010, e de 1,58% em 2010, segundo o Infarmed.
 
A liberalização da venda de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) fora das farmácias é uma das medidas mais emblemáticas do primeiro Governo de José Sócrates, que, inclusive, a anunciou no seu discurso de tomada de posse. Um dos principais objectivos era promover a redução do preço destes medicamentos.
 
Mas isso apenas aconteceu no primeiro (2005), em que os preços desceram 8%. Desde então, não pararam mais de subir. Nos dois últimos anos, as subidas foram mesmo superiores à inflação e à variação de preços no sector da saúde.
 
O actual bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Maurício Barbosa, sublinha o fracasso da medida, dizendo que o Estado "estratificou os portugueses, pois os preços estão mais altos nas zonas com menor densidade populacional". No ano passado, as maiores subidas registaram-se em Beja (4,7%), Portalegre (3,3%) e Vila Real (3,2%).
 
Outro dos objectivos do Governo era alcançar o alargamento da acessibilidade ao medicamento. Actualmente existem já 925 locais de venda registados no Infarmed. Contudo, há populações mais privilegiadas do que outras, já que os locais de venda se concentram, sobretudo, nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.
 
Maurício Barbosa disse ao Jornal de Negócios que, dos 925 locais reportados, muitos já fecharam ? e que são os grandes grupos que detêm este mercado, pelo que o objectivo da acessibilidade "também não foi cumprido".
 
A venda de medicamentos fora das farmácias atingiu o valor mais alto de sempre no ano passado, representando, em volume de embalagens, 16% do mercado total de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM).
 
Ao todo, foram vendidas mais de seis milhões de embalagens (mais 14% que em 2009), num valor que ultrapassou os 28,5 milhões de euros. Mas, como se pode constatar pelos dados disponibilizados pelo Infarmed, são as farmácias que controlam ainda 84% deste mercado, em embalagens, e 86% em valor.
 
Os analgésicos e antipiréticos são os campeões de vendas, liderando quer em número de embalagens, quer em valor. As entidades do Grupo Sonae e da Jerónimo Martins são as que mais vendem.
 
Locais de venda de MNSRM vão ter mais medicamentos
 
Em breve, os locais de venda e MNSRM deverão ter à venda mais medicamentos. Está previsto que ainda no decorrer deste primeiro trimestre o Governo alargue a lista de medicamentos não sujeitos a receita médica, que conta já com cerca de 1900 apresentações (comprimidos, soluções, pomadas).
 
O Jornal de Negócios tentou saber que medicamentos vão passar para esta lista, mas não obteve resposta nem do Infarmed, nem do Ministério da Saúde. Recorde-se que estes fármacos vão perder a comparticipação do Estado.
 

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